Resumo Semanal

Resumo Semanal
Nos EUA, o destaque ficou para a ata da última reunião do FOMC, que explicou que a inserção da expressão “próxima reunião” no último comunicado foi para “passar a mensagem que, enquanto nenhuma decisão foi tomada, pode ser apropriado” subir os juros em dezembro. Vários membros do FOMC discursaram na semana sugerindo que se as condições econômicas não piorarem, o Fed subirá o juro neste ano. O núcleo da inflação ao consumidor continuou em 1,9% ano-a-ano em outubro, confirmando este cenário. Na Zona do Euro, a inflação subiu ficou acima do esperado, com o núcleo do CPI acelerando de 0,9% em setembro para 1,1%, ano-a-ano. É a primeira vez desde agosto de 2013 que o número ficou acima de 1%. Este resultado positivo, no entanto, não deve alterar o plano do BCE de estender o programa de QE em dezembro. Na semana passada, o presidente do BCE Mario Draghi afirmou que “a opção de não fazer nada seria ir contra à estabilidade de preços”.

O IPCA-15 de novembro veio em 0,85% mês-contra-mês e 10,28% ano-contra-ano, ligeiramente abaixo do nosso call e o do mercado (10,29%) e mostrando forte aceleração frente os 9,77% de outubro. De forma geral, a dinâmica inflacionária continua preocupante, com resiliência na inflação de serviços, e o núcleo da inflação e o índice de difusão chegando a valores preocupantes. Ainda mais, a depreciação do câmbio parece estar batendo nos preços, enquanto preocupações sobre o cenário fiscal atingem as expectativas. No entanto, é bom lembrar que a maior parte do ajuste dos preços monitorados já foi feita, e a piora da recessão deve pressionar a inflação para baixo. Desta forma, acreditamos que a inflação ficará neste patamar no curto-prazo. Nosso call para o IPCA de novembro é de 0,88% mês-a-mês e 10,33% ano-ano, e o de 2015 é de 10,2% (vindo de 10,1% anteriormente).

A taxa de desemprego da PME veio em 7,9% em outubro, bem acima do nosso call (7,5%) e do consenso de mercado (7,6%). Isto compara com a taxa de 4,7% observada em outubro de 2014, o que implica a maior alta anual no desemprego desde o início da PME, em 2002. Ajustando sazonalmente, o desemprego subiu 0,4 p.p. no mês para 7,9%, chegando em seu maior valor desde dezembro de 2009. Nós acreditamos que continuaremos vendo uma forte deterioração do mercado de trabalho, com alta no desemprego e queda no salário real. Acreditamos também que a taxa de participação deve aumentar nos próximos meses, impulsionada pela queda na renda junto com corte nos programas sociais, como o FIES.

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