Comentário Semanal


Geração Futuro e Brasil PluralComentário Semanal
10.11.2014

No cenário internacional, o destaque foi a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos relativos a outubro – ainda que continue apontando para uma recuperação das condições de emprego, a criação de novas vagas decepcionou as expectativas do mercado. Esse fato se somou a declarações da presidente do Fed Janet Yellen, que afirmou que a economia americana na ainda precisa de políticas de suporte, alimentando a perspectiva de que o banco central dos EUA não terá pressa em subir os juros. Na Europa, a semana foi de decisão de política monetária. O banco central europeu, que nos últimos meses adotou uma série de medidas para estimular a economia, não anunciou políticas adicionais, mas afirmou que novas medidas serão implementadas caso seja necessário.

No Brasil, o destaque foi a ata do Copom, que atribuiu a decisão de retomar a elevação da taxa de juros à desvalorização da moeda. Embora o texto não deixe absolutamente claro, nós estamos provavelmente em um processo de aperto monetário, que acreditamos que levará a Selic para 12% ao ano em altas de 25 pontos base. Se a depreciação acelerar e/ou as expectativas de inflação se tornarem mais sensíveis à evolução cambial, então o plano de voo poderá ser alterado. A ata menciona que o momento da elevação tem como objetivo reduzir o custo de assegurar a convergência da inflação para a meta em 2015-2016 – o que sugere que o comitê pode estar em um estado de espírito de "elevar mais cedo para elevar menos".

A produção industrial caiu 0,2% em setembro, abaixo de nossas expectativas (0,0%) e da mediana das expectativas de mercado (+0,2%). Apesar do declínio no comparativo mensal, a contração da produção foi observada em apenas 7 dos 24 setores, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios, que registrou queda de 4,1% em relação ao mês anterior (-6,7% em relação ao ano anterior). Ainda assim, a maioria dos setores não se recuperou da queda observada nos meses recentes, tal como o automotivo – a produção de veículos em setembro subiu 10% em relação ao mês anterior, mas caiu 2,0% no terceiro trimestre, após recuar 11,8% no segundo trimestre. A produção industrial caiu 2,1% em relação ao ano anterior, após queda de 5,5% em agosto, levando a variação trimestral para um registro menos negativo: -3,7% em setembro, de -5,3% no segundo trimestre. O resultado surpreendentemente negativo em setembro se soma aos números ruins de confiança, estoques e capacidade de utilização de outubro, que não apoiam uma melhora substancial no setor industrial no curto prazo.

A balança comercial registrou um déficit de US$ 1,2 bilhão em outubro, abaixo de nossa previsão (US$ 1,7 bilhão). No ano, o déficit comercial subiu para US$ 1,9 bilhão, apenas US$ 119 milhões menor do que o déficit no mesmo período em 2013. Tanto as exportações como as importações caíram na comparação da média diária com o mesmo mês em 2013. Apesar de uma leve melhora na balança de petróleo em outubro, o fraco desempenho das exportações nos fez revisar a nossa projeção para a balança comercial e agora projetamos um déficit de US$ 0,3 bilhão – o primeiro resultado negativo desde 2000.

No front inflacionário, o IGP-DI de outubro ficou em 0,59% (3,21% em 12 meses), bem acima de nossas previsões e das expectativas do mercado (0,43% e 0,46%, respectivamente). Em uma base de comparação mensal, o índice acelerou frente ao mês de setembro (0,02%), impulsionado pela inflação dos preços agropecuários, liderados por café em grão, aves, milho em grão, entre outros. A inflação de preços industriais no atacado também aumentou (-0,10% em setembro para + 0,17% em outubro), com bens intermediários relacionados ao setor de transformação desempenhando um papel importante e a inflação do preço do minério de ferro ainda em território negativo. O índice de preços ao consumidor subiu 0,43% em outubro (6,84% em 12 meses), de 0,49% no mês anterior, em desaceleração guiada pelo grupo transportes. O Índice Nacional de Custo da Construção subiu 0,17% (6,87% em 12 meses) de 0,15% em setembro. Esperamos que o índice feche 2014 com variação de 3,2%, próximo ao ritmo atual. O IPCA de outubro veio em 0,42%, abaixo das nossas expectativas e das do mercado (em 0,47% e 0,48%, respectivamente). Os preços ao consumidor acumulam alta de 6,59% nos últimos 12 meses, fora da banda de tolerância em volta da meta de 4,5% (+-2 pp) do banco central. A inflação caiu em relação a setembro (0,57%) puxada por menor pressão nos preços dos alimentos e de tarifas de transporte aéreo. Esperamos que a inflação termine o ano em 6,45% (revisando a projeção anterior, de 6,3%) e esperamos que, no próximo ano, apesar da atividade enfraquecida e do atual aperto monetário, os efeitos da expansão fiscal, associada à desvalorização do real e ao realinhamento dos preços livres e administrados, devem levar a o IPCA a 6,7%.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$2,56, o que representou perda de 3,2% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros se deslocou para cima e ganhou inclinação: enquanto contrato para janeiro de 2016 alta de 0,17 pp para 12,39%, o de janeiro de 2018 subiu 0,43 pp para 12,68%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 53.223 pontos, uma perda de 2,6% em relação à semana anterior, reduzindo a alta no ano para 3,3%.

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