Queda do petróleo põe fim à defasagem da gasolina


A forte queda no preço internacional do petróleo, que ontem fechou pouco acima de US$ 85 o barril em Londres, terá impacto importante na economia mundial, mas é uma boa notícia para o Brasil. Pela primeira vez no ano, a Petrobras passou a importar e vender o combustível sem prejuízo, um alívio para o governo, que se vê menos pressionado a autorizar um reajuste da gasolina ainda neste ano.
Pelos cálculos do banco Credit Suisse, acabou a decantada defasagem de preços da gasolina. O valor cobrado no país estava na segunda-feira 1% acima do das refinarias do Golfo do México. De janeiro a setembro, a gasolina importada foi revendida no mercado interno a um preço 17,3% menor que o do exterior. O pico foi em 25 de setembro, quando a defasagem alcançou 24,3%. A defasagem do diesel também diminuiu. Em meados de setembro, a diferença de preços estava em 13,5% e, no começo desta semana, caiu a 5%.
Para a economia mundial, principalmente para os países europeus, a queda persistente do petróleo representa mais uma preocupação. O preço menor do combustível reduz ainda mais a inflação, num momento em que aumenta a ameaça de deflação. Segundo o "The Wall Street Journal", a espiral decrescente de preços em toda a Europa poderá atrapalhar a já frágil recuperação econômica do bloco.
A Agência Internacional de Energia reduziu a previsão de crescimento da demanda por petróleo neste ano em mais de 20%, indicando uma queda dramática no consumo global. No entanto, os países produtores mostram poucos sinais de que irão diminuir a produção.
A desaceleração do crescimento econômico na Ásia e a debilitada economia europeia também forçaram a queda dos preços nos últimos meses. A inflação britânica desacelerou muito em setembro e a produção industrial na zona do euro caiu em agosto, enquanto a deflação atingiu a Espanha pela primeira vez em mais de quatro anos.

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