Giro no mercado , até onde o dólar vai parar....

00:22- A volta do tio Sam
Fique claro: é uma volta estrutural, que vem acontecendo gradativamente. Não está livre  de altos e baixos pontuais. Mas é uma volta.
Depois dos fortes dados do PIB, o relatório de emprego dos EUA marcou a criação de 248 mil vagas de trabalho, bem acima das expectativas (de 215 mil).
A taxa de desemprego, que não costuma dizer muita coisa, dessa vez passou uma importante mensagem, pois caiu depois de longo período estática. Marcou 5,9%.
A implicação é um tanto óbvia: reacende o holofote sobre o ritmo de recuperação americana e o - consequente - processo de retirada de estímulos e subida do juro por lá.
E o dólar vai que vai.


00:49- Vai até onde?

Estruturalmente, todos os elementos apontam para mais valorização da divisa americana, que está na casa de R$ 2,50.
Economia forte tem moeda forte, economia fraca tem moeda fraca... O lema poderia resumir a relação atual entre dólar e real - mas há muito mais.
O fim do programa de afrouxamento quantitativo está aí, agora sim, batendo à porta. A última reunião do Fed manteve o ritmo de enxugamento do programa de compra de títulos no mercado a US$ 15 bilhões remanescentes. No máximo, as próximas duas reuniões esgotam esse remanescente, colocando o programa no ponto - enfim - de contração monetária (e não redução da expansão monetária, que ainda é “expansão).
Além disso, há o início do processo de subida dos juros por lá, o que naturalmente atrairá aplicações (dólares) para a economia americana.
Ademais, o real é moeda exótica, de país baseado em commodities com elevada imprevisibilidade de políticas e o chamado beta alto, o que o torna ainda mais sensível às variações de conjuntura. Fator agravado pela provável vitória da situação nas eleições.
Todos os fundamentos apontam para cima, ainda mais para cima. Não fosse a parte artificial da variação, relacionada às intervenções do Banco Central brasileiro, agora dobradas, o dólar estaria acima de R$ 2,60.
Pode haver repiques de curto prazo, mas, em termos de fundamentos, seu lugar é mais próximo de R$ 2,60 do que de R$ 2,40.


01:33- Ainda vale a pena

Estamos sugerindo a compra de dólares como “a grande oportunidade macro” desde que a moeda estava a R$ 1,90. A R$ 2,50, obviamente parte do potencial de valorização já foi consumido.
Mas repito, estruturalmente, sigo considerando a exposição a dólares uma boa. Você estará em uma moeda forte, reserva de valor em períodos de turbulência, e respaldado pelos fundamentos (todos).


02:19- Briga de cachorro grande

Fora o ambiente macro-eleitoral, o destaque do noticiário corporativo vai para a guerra entre os sócios da Usiminas.
Os argentinos da Ternium compraram 51,4 milhões de ações da siderúrgica brasileira de posse do fundo de previdência PREVI, pelo equivalente a R$ 12 por ação, prêmio de quase 82% sobre as cotações de ontem.
As ações da Usiminas reagem bem, como se esses R$ 12 fossem uma boa referência de valor... Mas é uma referência sem grande implicação prática para o minoritário, considerando a (absurda) ausência de extensão da oferta aos minoritários (tag along) e as condições extraordinárias de negociação...
Os japoneses da Nippon destituíram as principais cadeiras operacionais que a Ternium ocupava na empresa, incluindo o CEO Julián Eguren e diretores industrial e de subsidiárias.
Enquanto busca a restituição dos cargos na justiça, o grupo argentino resolveu contra-atacar, comprando as ações e reforçando a sua posição no Conselho.

03:22- A lenda do tag along
Senta que lá vem história...
Na ocasião de entrada do grupo na Usiminas, embora o acordo de acionistas tenha sido alterado, bem como as principais cadeiras executivas da companhia, não houve respeito à cláusula de tag along, sob o argumento de que, como a posição da Nippon ainda era maior do que a da Ternium, não configurou-se mudança no controle.
Lembrando, “tag along” é a cláusula de proteção aos acionistas que em tese garante aos minoritários o direito de deixarem a companhia por condições semelhantes aos majoritários no caso de troca de controle da mesma. Você comprou um produto (empresa), se as regras do jogo mudaram (troca de controle), você tem a possibilidade de sair.
Com o movimento anunciado ontem, os argentinos da Ternium passaram a ser a deter a maior participação nas ações com direito a voto da Usiminas, com 38%, contra 29,4% da Nippon.
E agora, como fica o tag along?


04:13- O fiel da balança

Sabe o que é mais interessante nessa história toda? Que a principal beneficiada deve ser a rival CSN. E não somente pelo foco de Usiminas em uma disputa societária bem no meio de seu processo de reestruturação operacional...
CSN possui 11,66% das ações ordinárias e 20,14% das ações preferenciais da Usiminas, impossibilitadas de participar de decisões estratégicas da empresa ou ocupar cadeira no Conselho, por restrição do Cade.
Ou seja, para CSN a posição serviria meramente para receber dividendos de Usiminas - que, cá entre nós, não são nada atrativos.
CSN tem a chave para resolver o conflito em favor de Ternium ou de Nippon.
Para CSN, a chave para uma grande destrava valor.

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