Geração Futuro e Brasil PluralComentário Semanal
20.10.2014
No cenário internacional, prevalecem as preocupações com o ritmo (lento) de retomada da economia europeia e os sinais de desaquecimento da China, nesse período pós-crise internacional. Dados de inflação de ambos foram divulgados essa semana, mostrando desaceleração de preços. As principais economias do mundo passam por um período de inflação baixa – o cenário preocupa na zona do euro, onde a inflação ao consumidor é de apenas 0,3% (acumulado em 12 meses), bem abaixo da meta do banco central europeu, de pouco menos de 2%. Nos Estados Unidos, a discussão segue sendo sobre o momento em que o Fed irá elevar os juros em resposta à recuperação observada na economia – essa semana, os dados econômicos vieram com sinais mistos, com surpresas negativas do lado de vendas no varejo, e positivas no que se referiu à produção na indústria e ao mercado de trabalho.

No Brasil, os dados divulgados na semana reforçaram o cenário de atividade fraca, emprego em queda, e inflação ao consumidor alta. O volume de vendas no varejo no conceito ampliado caiu 0,4% em agosto na comparação com o mês anterior - as vendas caíram 6,8% na comparação anual, um declínio maior do que o observado em agosto (-4,9%), com destaque para a queda de 17,4% das vendas de veículos. A média de crescimento trimestral caiu para -5,9% no comparativo anual, a taxa mais baixa da série histórica. As vendas continuaram a ser puxadas para baixo pelas vendas de veículos, mas a maior parte dos principais setores registrou queda em comparação com o mesmo período de 2013. Os números relativos às vendas de agosto apoiam a nossa leitura de que os resultados ruins de junho e julho não podem ser integralmente atribuídos à Copa do Mundo. O IBC-Br de agosto, indicador do banco central que serve como aproximação mensal do PIB, mostrou queda de 1,35% em relação ao ano passado, em linha com nossa previsão e com a mediana das expectativas de mercado.

De acordo com o Ministério do Trabalho (relatório do Caged), 124 mil empregos formais foram criados em setembro, de 101 mil em agosto. Em comparação com setembro de 2013, o número de vagas criadas caiu 41%, após queda de mais de 70% em junho e julho e de 21% em agosto. De acordo com o nosso ajuste sazonal, a criação de empregos atingiu 12 mil, e a média trimestral atualmente é de + 18 mil – o terceiro trimestre de 2014 foi o mais fraco em termos de geração de emprego nos últimos 15 anos. A taxa média de 12 meses diminuiu ainda mais, para 35 mil, abaixo do patamar de 63 mil que identificamos como compatível com a estabilidade da taxa de desemprego, e também o número mais baixo desde 2009, quando a economia estava emergindo da crise internacional. Os números sugerem que a criação de empregos vem sendo reduzida desde março, liderada principalmente pela indústria de transformação, à medida em que a economia enfraquece.

No front inflacionário, o IGP-10 de outubro registrou alta de 0,02% (2,93% em 12 meses), acima da nossa expectativa (-0,05%) e do consenso de mercado (-0,02%). Em uma base de comparação mensal, o índice desacelerou em relação a setembro (0,31%), impulsionado pela reversão da inflação dos produtos industriais no atacado, com farelo de soja desempenhando um papel importante, e a inflação do minério de ferro ainda em território negativo. A inflação dos preços agrícolas também mostrou queda, liderada por soja em grãos, ovos e tubérculos, como a batata. O índice de preços ao consumidor aumentou 0,48% em setembro (6,79% em 12 meses), de 0,26 no mês anterior em uma aceleração de preços generalizada entre os grupos, mas liderada pela maior inflação no grupo alimentação. O índice nacional de custo da construção mostrou aumento de 0,14% (6,68% em 12 meses), de 0,15% em setembro. Esperamos que a inflação medida pelo IGP feche o ano próximo a 3,4%.

As pesquisas Ibope e Datafolha mostraram que Aécio Neves continua em vantagem numérica em relação a Dilma Rousseff, mas os candidatos seguem em empate técnico. O tucano tem 51% das intenções de voto válidos de acordo com os dois institutos, mesma marca obtida na semana passada, contra 49% da presidente. De acordo com o Datafolha, a rejeição a Aécio subiu de 34% para 38%, e se aproxima da rejeição a Dilma, que oscilou para 42%, ante 43% na semana anterior. O resultado foi favorável à candidatura oficial, pois, além de mostrar um estancamento do crescimento do apoio a Aécio e o aumento da sua rejeição, apontou elevação na aprovação do governo (de 39% para 43%, de acordo com o Ibope, e de 39% para 40% pelo Datafolha). As próximas pesquisas serão MDA, Datafolha e Vox Populi na segunda-feira, e Sensus a partir de quarta-feira. Já os próximos debates serão o da Record no domingo e o da Globo na sexta-feira.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$2,44, o que representou perda de 0,3% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. Após algumas oscilações, a curva de juros terminou a semana próximo do patamar da sexta anterior: enquanto contrato para janeiro de 2016 teve leve queda de 0,03 pp para 11,94%, o de janeiro de 2018 caiu 0,01 pp para 11,86%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 55.724 pontos, um ganho de 0,7% em relação à semana anterior, ampliando a alta no ano para 8,2%.

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