Pequeno investidor reduz participação em empresas


O investidor pessoa física está receoso em aplicar suas economias na bolsa de valores. O Brasil tem hoje menos investidores (551,1 mil no fim de agosto) do que no auge da BM&FBovespa (610,9 mil), em 2010. Há cinco anos, a meta lançada pelo presidente da bolsa, Edemir Pinto, era chegar a 2014 com uma base de cinco milhões de aplicadores.
O mercado acionário cresceu muito no último boom da economia brasileira e do mercado de capitais. Em 2003, havia apenas 85 mil pessoas investindo em ações. Em junho de 2008, no auge da euforia da bolsa e três meses antes do início da crise mundial, fundos dedicados à compra apenas de papéis da Petrobras e da Vale chegaram a reunir 1,38 milhão de cotistas (não é possível saber quantos são dupla contagem), conforme levantamento feito com dados da Comissão de Valores Mobiliários.

A crise internacional e o desaquecimento da economia brasileira desde 2011, além da intervenção do governo nos preços das empresas de energia, derrubaram a bolsa e desanimaram os aplicadores, normalmente avessos a risco. Entre junho de 2008 e junho de 2013, 767 mil cotistas deixaram os fundos dedicados a Petrobras e Vale, sendo 608 mil das carteiras abertas e 159 mil dos fundos criados com dinheiro do FGTS. Quem resistiu e manteve a carteira amargou perda nominal de 51% no caso da petroleira e de 26% no da mineradora, já considerando o ganho com dividendos.
Levantamento realizado pelo Valor em parceria com a provedora de informações financeiras Quantum revela que 49 das 94 empresas que compõem atualmente o índice IBrX - que reflete o retorno de uma carteira de cem ações - viram sua base acionária formada por pessoas físicas diminuir de um ano para cá. Das dez empresas que mais perderam pessoas físicas, quatro são do setor elétrico, que costumava figurar entre os preferidos pelo investidor em busca de dividendos.

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