MPF-SP denuncia Eike por crime contra mercado de capitais

Além de Eike, sete ex-executivos foram denunciados pelo órgão.

Grupo responde por falsidade ideológica e formação de quadrilha.

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou nesta terça-feira (23) o empresário Eike Batista e sete ex-diretores da OGX Petróleo e Gás Participações por crime contra o mercado de capitais.
De acordo com o órgão, o grupo é acusado de induzir milhares de investidores a erro ao anunciarem informações falsas sobre o real potencial da petroleira.
O prejuízo ao mercado financeiro estimado pelo órgão é superior a R$ 14,4 bilhões devido à desvalorização registrada entre 2010 e 2013. Procurada pelo G1, a OGX informou que não irá se pronunciar sobre a denúncia do MPF-SP.
"O grupo prometeu a realização de negócios bilionários em operações de extração de petróleo nas bacias de Campos e Santos. No entanto, a projeção foi baseada em dados inverídicos sobre a capacidade de exploração das reservas, o que levou à queda vertiginosa do valor das ações da companhia e causou graves prejuízos àqueles que haviam adquirido os papéis".
De acordo com o MPF-SP, Eike e os sete-executivos incorreram em falsidade ideológica, indução de investidores a erro e formação de quadrilha. "Os executivos também foram denunciados por manipulação do mercado de capitais – à exceção de Eike, que já responde por essa infração em ação penal movida pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro". O órgão diz que, se condenado, Eike Batista pode ter de cumprir de 4 a 14 anos de prisão. A pena de reclusão dos outros denunciados pode chegar a 22 anos.
O MPF-SP diz que a OGX divulgou ao mercado 55 fatos relevantes, entre 2009 e 2013, gerando forte procura pelas ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Investidores acreditaram no que a companhia dizia sobre as estimativas de grande volume de gás e petróleo a ser extraído em poços dos complexos de Fortaleza, na bacia de Santos, e de Waimea, Pipeline e Vesúvio, na bacia de Campos.
Após estudos feitos em 2011 pela própria OGX, foi constatado que a exploração dessas áreas era inviável economicamente devido a custos elevados de operação ou mesmo à inexistência de tecnologia para exploração. O MPF diz que Eike e seus ex-diretores, mesmo sabendo dessa inviabilidade, não avisaram o mercado. "Apresentações e informes continuaram ressaltando êxitos relacionados às descobertas das reservas, sem menção aos dados sobre a ínfima parcela de óleo que efetivamente poderia ser extraída e comercializada", diz o Ministério Público Federal, em nota.
O empresário Eike Batista, em imagem de arquivo (Foto: Reuters)O empresário Eike Batista, em imagem de arquivo (Foto: Reuters)
Dois anos depois, em 2013, a companhia revelou ao mercado a suspensão de atividades em alguns poços da bacia de Campos e a possibilidade de paralisação da produção em outros ao longo de 2014. Isso fez com que a ação da OGX fosse cotada a R$ 0,56, bem abaixo dos R$ 23,39 que chegou a custar em 2010.
Mais denúncias
No dia 15 de setembro, o MPF já havia denunciado o empresário Eike Batista por uso de informações privilegiadas para obtenção de vantagens ilícitas no mercado financeiro, crime conhecido como "insider trading". As irregularidades envolvem a negociação de ações da OSX Construção Naval S.A., empresa controlada por Eike.

Na ocasião, o órgão pediu que Eike fosse condenado ao pagamento de multa máxima prevista em lei, equivalente a três vezes os R$ 8,7 milhões obtidos ilegalmente (R$ 26,1 milhões).
A denúncia se soma a outra, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ). No sábado (13), o órgão informou que o empresário será denunciado por manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, em transações envolvendo a OGX.

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