Minério em queda pode comprometer projetos


A forte queda nos preços do minério de ferro pode comprometer os investimentos em projetos de mineradoras sem logística integrada, que não têm ferrovia e porto próprios. Entre essas empresas estão grandes siderúrgicas, como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal, além das mineradoras Ferrous e MMX, que juntas investiram entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro em Minas Gerais. Elas poderão ser obrigadas a rever seus projetos se a cotação não se recuperar ou se não houver um ajuste nos preços dos serviços logísticos de exportação.

Empresas que não contam com estrutura integrada mina-ferrovia-porto são obrigadas a operar com custos mais altos. Nas contas do Goldman Sachs, essas mineradoras gastam cerca de US$ 32 por tonelada para colocar o minério nos navios, mais US$ 24 por tonelada de frete marítimo. A Vale, com estrutura integrada, tem um custo de produção até o porto na faixa de US$ 22 por tonelada e seu minério chega à China, principal mercado consumidor, com custo total ao redor de US$ 50 por tonelada. Mesmo com o minério a US$ 83,2 - cotação de ontem -, a Vale será a única a gerar fluxo de caixa operacional positivo, diz o Goldman Sachs. O preço de ontem foi o mais baixo desde 23 de setembro de 2009 e teve forte desvalorização nas últimas semanas em razão da redução das compras pelas siderúrgicas chinesas.Segundo relatório do Goldman Sachs, há projetos de pequenas e médias mineradoras para entrar em produção no país nos próximos cinco anos com potencial para 45 milhões de toneladas/ano. O banco entende que vários desses projetos poderão ser interrompidos ou cancelados considerando a estimativa de longo prazo para os preços do minério de ferro, de US$ 85 por tonelada, e a atual estrutura de custos das mineradoras não integradas.

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