Comentário semanal

No cenário internacional, o destaque nos Estados Unidos foi a terceira e última leitura do PIB do segundo trimestre, que apontou que a alta em comparação com o primeiro trimestre foi de 4,6% em termos anualizados, ainda mais forte que a expansão sugerida pela leitura anterior. Teve destaque também o acirramento das tensões entre as forças do ocidente e grupos extremistas do oriente médio. A semana viu ataques aéreos a instalações petrolíferas da coalizão liderada pelos EUA no leste da Síria, e prisões por parte do governo do iraquiano de combatentes do chamado Estado Islâmico (EI) que planejavam realizar ataques terroristas nos Estados Unidos e na França.

O governo anunciou a quarta revisão do orçamento de 2014. O crescimento do PIB em 2014 foi revisado para 0,9%, de 1,8% na última revisão do orçamento, mas permanece bem acima da nossa projeção (0,0%) e da expectativa do mercado (0,3%). As previsões de inflação e da taxa de câmbio foram mantidas em 6,2% e R$ 2,3 por dólar, respectivamente. O governo reduziu as receitas líquidas previstas em R$ 10,5 bilhões, principalmente devido à fraca arrecadação tributária. Em relação às despesas, o governo reduziu a previsão em R$ 7,0 bilhões, cortando os subsídios ao setor elétrico da conta CDE (R$ 4,0 bilhões) e outros subsídios (R$ 3,0 bilhões). Destacamos, ainda, que o Tesouro vai retirar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para fechar esta diferença – como fez em 2012. O governo também está contando com R$ 9,5 bilhões em receitas extraordinárias do Refis e do leilão 4G. Nós recentemente revisamos a nossa previsão de superávit primário em 2014 para 1,35% do PIB (de 1,55% anteriormente), mas vemos riscos adicionais como a atividade deve permanecer moderada no segundo semestre do ano, afetando a receita tributária. Vale lembrar que a arrecadação de impostos de agosto mostrou alta real de 5,5%, após uma queda de 1,6% em julho. Ressaltamos que este resultado foi decorrente da arrecadação de R$ 7 bilhões pelo programa Refis, caso contrário a arrecadação ainda estaria caindo.

O Brasil registrou um déficit em conta corrente de US$ 5,5 bilhões em agosto, abaixo de nossa previsão (US$ 6,0 bilhões), mas acima do consenso de mercado (US$ 5,4 bilhões). O déficit acumulado em 12 meses permaneceu estável em US$ 78,4 bilhões ou 3,47% do PIB. Isso vem como resultado de uma balança comercial praticamente estável em 12 meses; uma queda no déficit da conta de serviços, impulsionada por uma queda nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos; e um aumento no déficit da balança de rendas, movido principalmente pelas maiores remessas de lucros e dividendos. Investimentos estrangeiros diretos registraram ingressos líquidos de US$ 6,8 bilhões, bem acima de nossa previsão e também das expectativas de mercado, de US$ 4,2 e US$ 4,4 bilhões, respectivamente, acumulando US$ 67,0 bilhões ou 3,0% do PIB em 12 meses. Investimentos estrangeiros em carteira também foram um destaque positivo, com entradas líquidas de US$ 5,4 bilhões (US$ 39,2 bilhões em 12 meses). Ao todo, o déficit em conta corrente continua elevado e apenas parcialmente financiado pelos fluxos de IED. Investimentos em carteira continuam a dar conforto para financiar o déficit, mas essa realidade pode mudar com a normalização da política monetária americana.

A taxa de desemprego em agosto atingiu 5,0%. Apesar de mostrar uma queda em comparação com agosto de 2013, de acordo com o nosso ajuste sazonal, o desemprego aumentou pelo segundo mês consecutivo. Vale lembrar que ela atingiu sua baixa histórica em abril (4,7%), permaneceu relativamente estável nos dois meses seguintes e começou a subir em julho. A taxa de desemprego permanece historicamente baixa, impulsionada pelo movimento na força de trabalho, que caiu 0,7% face ao ano anterior (de -1,5% em julho), mantendo o padrão de crescimento negativo observado desde outubro de 2013. Enquanto isso, a população ocupada caiu 0,4% no comparativo anual (de -0,7% em julho). Observamos também que a taxa de participação continua em queda na comparação com o ano anterior, passando de 57,2% para 56,2%. Ao todo, os números de agosto reforçam a nossa tese de que a queda na força de trabalho não é um fenômeno permanente e deve ser revertida no médio prazo. Já estamos vendo um aumento na taxa de desemprego ajustada sazonalmente e acreditamos que ela continuará subindo nos próximos meses.

O crescimento do crédito desacelerou ainda mais em agosto (11,1% em relação ao ano anterior, de 11,5% em julho) e o crédito direcionado continua sendo o principal motor, aumentando 19,0%, enquanto o crédito com recursos livres subiu apenas 5,0%. Em termos reais, o crescimento do crédito com recursos livres está ainda mais em território negativo, caindo 1,4%, a maior queda para a nova série que começa em 2007. Dentro das operações com recursos livres, enquanto os novos empréstimos para os consumidores ainda mostra um crescimento positivo em termos reais (3,5% em agosto), os novos empréstimos com recursos livres para as empresas caíram 5,4% em termos reais, considerando a média de 3 meses, a queda foi de 6,3%. Ainda assim, a força do crédito direcionado tem feito o crédito em relação ao PIB atingir 56,8% em agosto, um aumento de 0,2 pp em relação a julho, atingindo o novo recorde histórico da série. De acordo com a nossa série de inadimplência com recursos livres ajustada sazonalmente, a inadimplência das famílias ficou estável em 6,6%, enquanto a das empresas continua subindo e atingiu 3,7%, o nível mais alto desde abril de 2013. Mesmo após o período de Copa do Mundo, nós continuamos vendo uma desaceleração do crédito, liderado pelo crédito com recursos livres para as empresas, reforçando a nossa tese de que o baixo nível de confiança e uma economia lenta são os principais culpados por trás desta desaceleração.

As principais pesquisas eleitorais na semana mostraram um cenário marginalmente positivo para Dilma Rousseff e negativo para Marina Silva. A presidente teve uma recuperação no segundo turno, abrindo uma vantagem de até 4 pontos, como mostrou a última pesquisa Datafolha. Outro ponto positivo para a presidente foi o aumento na aprovação do governo, de acordo com a última pesquisa Ibope. Dado que Marina Silva tem uma tremenda desvantagem em relação tanto ao tempo de TV como apoio político, que deve ser muito menos desigual no segundo turno, continuamos a acreditar que, se ela conseguir ficar estatisticamente empatada com Dilma em simulações de segundo turno, é provável que ela vença.

Nos mercados, o dólar fechou cotado a R$2,42 no final da semana, o que representou desvalorização da moeda brasileira de 2,1% em relação à semana anterior. Apesar da volatilidade ao longo da semana, curva de juros fechou a ultima sexta feira com apenas leve movimentação em relação à semana anterior: o contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,01 pp para 11,68%, enquanto o janeiro de 2018 subiu 0,12 pp para 11,90%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 57.212 pontos, uma perda de 1,0% em relação à semana anterior, reduzindo a alta no ano para 11,1%.

fonte:geração futuro

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