Bancos veem liberação de compulsório como punição


Para ler a matéria completa faça seu login ou cadastre-se
Os grandes bancos brasileiros fizeram, nos últimos dias, dois movimentos paralelos, mas com uma causa em comum. Anunciaram cortes nas taxas de juros para o financiamento de veículos e se tornaram mais agressivos para comprar carteiras de crédito de instituições financeiras menores, chegando até a assediar bancos de atacado à caça de portfólios de crédito corporativo à venda.
Essas movimentações atípicas são resultado das mudanças nas regras do depósito compulsório anunciadas em julho pelo Banco Central. As alterações, que liberaram R$ 40 bilhões em depósitos, têm causado desconforto tanto em bancos privados como públicos. O que o BC chamou de liberação dos depósitos compulsórios foi entendido pelos bancos como penalidade a quem não emprestar mais dinheiro, segundo altos executivos ouvidos pelo Valor. Os bancos têm baixíssima disposição para aumentar o risco em suas carteiras de crédito neste momento, por receio de calote.

Para conseguir que esse dinheiro renda alguma coisa, o BC deu algumas opções aos bancos. Eles podem usar esses recursos na compra de carteiras de crédito de instituições menores. Também podem abater as letras financeiras (LF) que já tinham comprado de bancos pequenos e médios. Por fim, podem alocar o compulsório em empréstimos para a compra de veículos. Essa dedução, no entanto, é limitada. Com isso, o BC sinalizou aos bancos que, se quiserem fazer o compulsório render, terão de emprestar mais.O argumento é que as medidas fizeram com que uma fatia de 60% dos depósitos compulsórios a prazo deixasse de ser remunerada. Nos cinco maiores bancos, o recolhimento sobre depósitos a prazo soma cerca de R$ 131 bilhões. Antes, a totalidade desse recolhimento era remunerada pela Selic.

Em relatório da semana passada, a Moody's observou que as medidas eram negativas para os bancos. Segundo a agência, elas tendem a trazer perda de rentabilidade, por conta da mudança na remuneração do compulsório a prazo. Ao mesmo tempo, a Moody's espera que os incentivos tragam alguma deterioração na qualidade dos ativos, porque vão estimular a oferta numa linha arriscada (o crédito de veículos), em um ambiente de crescimento fraco.


PARCEIROS E COLABORADORES UTILIZAM:

.