Assembleia de Deus coleta assinaturas para criar partido


Claudio Belli / Valor
Marinho define Dilma em artigo no ‘Mensageiro da Paz’, órgão oficial da Igreja: “Ateia desde a juventude de guerrilheira comunista”
A igreja da presidenciável Marina Silva (PSB) articula o seu próprio partido em 2015. De acordo com o coordenador do conselho político da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), pastor Lélis Marinho, já estão sendo coletadas assinaturas por meio de um exército formado por 40 mil pastores e 100 mil locais de culto no país.
"Existe um pensamento em nos concentrarmos em um único partido, para que a nossa ação seja mais direcionada e eficaz. Como a lei eleitoral cria restrições para a migração de partido, as assinaturas para se criar uma nova sigla estão sendo providenciadas", diz. Atualmente há 22 deputados federais assembleanos e Marinho imagina que 30 serão eleitos impulsionados pelas duas candidaturas presidenciais de integrantes da Assembleia de Deus: a de Marina e a do Pastor Everaldo (PSC), que pertence a outra ramificação da confissão religiosa, o ministério de Madureira.
Marinho foi um dos responsáveis por um longo perfil dos quatro principais candidatos a presidente publicado na edição deste mês no jornal "Mensageiro da Paz", órgão oficial da igreja. O artigo tem o propósito específico de orientar o voto dos fiéis e deixa claro que só há uma orientação: combater a reeleição da presidente Dilma Rousseff, chamada de "ateia desde a juventude de guerrilheira comunista".
O artigo afirma que o governo de Dilma representa uma ameaça à religião. Atribui à presidente a defesa de "terríveis propostas", como o casamento entre homossexuais, a criminalização da homofobia, a regulamentação das situações legais de aborto na rede pública de saúde e a liberalização de drogas leves. A posição em relação a Marina, que pertence à Congregação da Assembleia de Deus do Plano Piloto, em Brasília, é de cautela: afirma que a candidata "tem trazido alegria por falar publicamente contra o preconceito aos evangélicos", mas adverte que Marina "muitas vezes é condescendente com grupos radicais de esquerda".
Claudio Belli/Valor
Marinho define Dilma em artigo no 'Mensageiro da Paz', órgão oficial da Igreja: "Ateia desde a juventude de guerrilheira comunista"
"Vejo a ascensão de Marina como um avanço. É uma possibilidade de diálogo com o governo dentro de outro ponto de vista, mas com ela ainda estamos estabelecendo um diálogo. É curioso, mas temos que buscar interlocução com uma de nossas seguidoras. Ela não assumiu compromissos", diz Marinho, que pondera: "A tendência do voto assembleano ir para ela é completamente natural. Somos a favor do Estado laico, mas um governante precisa ser alguém que tema a Deus. A falta de crença faz toda a diferença". No universo de prioridades políticas da Assembleia, a meta é frear projetos em tramitação no Congresso, e não aprovar novas propostas. Marinho não demonstra interesses em temas de natureza econômica. "Estas são questões que estão fora da nossa agenda", afirma.
Os deputados da Assembleia de Deus atualmente se dividem em 11 partidos. Sete estão no PSC, que lançou a candidatura de Everaldo à Presidência. Entre eles, Marcos Feliciano (SP), que se notabilizou por posições conservadoras extremistas. Ainda há três no PTB, dois no PR e dois no Pros. PMDB, PSB, PSDB, PDT, PRB e SD contam com um cada. O atual presidente da Frente Parlamentar Evangélica é Paulo Freire (PR-SP), filho do líder da Convenção Geral, pastor Wellington Bezerra. Sete parlamentares são da Região Norte, a mesma da acriana Marina.
A bancada assembleana flutua de acordo com o tamanho da bancada evangélica, que vinha em uma trajetória ascendente até uma queda abrupta nas eleições de 2006. Na eleição daquele ano, a bancada evangélica foi afetada pela repercussão do escândalo dos "sanguessugas", um esquema irregular de desvio de recursos públicos por meio da apresentação de emendas parlamentares ao Orçamento. Entre os 72 deputados envolvidos, os evangélicos eram 28. Nenhum se reelegeu na eleição daquele ano. "Aquilo atingiu indistintamente a todos os que tinham associação conosco, estivessem ou não envolvidos no caso", afirma Marinho.

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