Tesouro Nacional segura também repasses ao BB

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Para melhorar o resultado das contas públicas, o Tesouro Nacional tem adiado o repasse de recursos a bancos federais. No caso do Banco do Brasil (BB), o Tesouro está retendo o pagamento de subsídios de financiamentos agrícolas. A Caixa Econômica Federal tem sofrido atrasos para o pagamento de benefícios sociais.
O balanço do Banco do Brasil referente ao segundo trimestre registrou crédito de R$ 7,944 bilhões perante o Tesouro. O dinheiro, segundo a demonstração contábil do BB, diz respeito à "equalização de taxas de juros da safra agrícola". O valor quase dobrou em relação aos R$ 4,158 bilhões registrados há um ano, na demonstração financeira de junho de 2013.

O Banco do Brasil executa diversos programas de financiamento agrícola com juros subsidiados. O banco empresta aos agricultores com taxas mais baixas do que seus custos de captação. O Tesouro, por sua vez, se compromete a cobrir a diferença por meio da "equalização de taxas de juros".
Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, revelou ontem que o crédito do BB aumentou porque, nos últimos dois anos, o Tesouro passou a segurar o pagamento desses subsídios. É um procedimento semelhante ao adotado com a Caixa Econômica Federal, que, por causa das retenções, recorreu à Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, da Advocacia-Geral da União, em uma disputa que está provocando desgaste dentro do governo.
O atraso no pagamento dos subsídios não causa maiores prejuízos ao BB porque os créditos a receber são corrigidos pela taxa básica de juros. O banco oficial, segundo os indicadores publicados em seu último balanço, trabalha com uma boa folga em sua base de capital e liquidez. O adiamento, entretanto, aumenta a despesa do Tesouro, uma vez que os valores são corrigidos pela Selic.

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