Governo baixa pacote e tenta estimular o crédito

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O Banco Central e o Ministério da Fazenda anunciaram dois pacotes de medidas para tentar reavivar o crédito, que sofre desaceleração além da prevista. Promoveram um alívio de capital para os bancos públicos liderarem a expansão do mercado e ajustes na regulação para tentar atrair as instituições privadas de volta aos negócios.
O Banco Central concluiu o desmonte do conjunto de medidas macroprudenciais adotadas em 2010, concedendo um alívio de capital de R$ 15 bilhões aos bancos. A cifra é suficiente para alavancar R$ 140 bilhões em operações de crédito. Também foram liberados R$ 10 bilhões em depósitos compulsórios para os bancos expandirem os empréstimos.
O alívio nas regras prudenciais deve favorecer sobretudo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, que desaceleraram a expansão de suas carteiras de empréstimo porque estão com uma menor folga de capital, embora sigam liderando o mercado.Para que os bancos privados voltem a emprestar com segurança depois da onda de inadimplência de 2011/2012, a Fazenda apresentou um conjunto de propostas de mudança na legislação. Elas incluem retomada mais rápida de automóveis quando o mutuário não pagar o financiamento e possibilidade de cobrar parcelas do crédito consignado simultaneamente ao depósito dos salários na conta do trabalhador do setor privado.
As medidas deram atenção especial a dois segmentos - consignado e crédito de veículos - que tiveram forte expansão em anos recentes, mas perderam força desde o ano passado e chegam a ter crescimento negativo. A liberação de compulsórios cria incentivos especiais para a aplicação de recursos em financiamentos de automóveis - foi eliminada a exigência mais pesada de capital para lastrear operações superiores a 60 meses. Para o consignado, a exigência de mais capital para operações com prazos mais longos também acabou.
O conjunto de medidas foi recebido pelos bancos como um passo na direção certa. Para o presidente da Febraban, Murilo Portugal, no curto prazo o efeito deve ser uma melhora de confiança e expectativas. No médio e longo prazos, as medidas viabilizam um novo ciclo de expansão do crédito. "Podemos em dez anos chegar ao nível do Chile, onde o crédito representa 86% do PIB". disse Portugal.

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