Crédito tem nova desaceleração


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O mercado de crédito apresentou a sexta contração consecutiva em de julho, perfazendo o maior período de queda da série histórica iniciada em março de 2007, considerando o comportamento em 12 meses. No mês passado, a taxa de expansão foi de 11,4%, também a menor da série histórica. O estoque de crédito ficou em R$ 2,835 trilhões ou o equivalente a 56,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na margem, foi registrado um breve avanço de 0,2% sobre junho, resultado puxado pelos bancos estatais, que foram os únicos a ampliar suas carteiras.
As instituições públicas ampliaram o crédito em 0,7%, para R$ 1,5 trilhão, e respondem por 53% do mercado. Os privados nacionais viram suas carteiras caírem em 0,2%, para R$ 919,246 bilhões, e os estrangeiros encolheram 0,7%, para R$ 416,088 bilhões.
E quem tomou crédito em julho foram a União, Estados e municípios, que ampliaram seu estoque de endividamento em 2,3%, enquanto o segmento privado cresceu apenas 0,1%, puxado, basicamente, pelo crédito imobiliário.
Olhando apenas os recursos livres, o crédito caiu 0,5% na passagem de junho para julho, para R$ 1,516 trilhão, primeira contração em seis meses. Em 12 meses, ainda há modesta alta de 5%. O crédito direcionado subiu 1% na margem, e cresce 19,8% em 12 meses, para R$ 1,319 trilhão.
E esse desempenho historicamente fraco do crédito não guarda relação com as medidas tomadas pelo Banco Central (BC) no fim de julho e na semana passada. A autoridade monetária liberou compulsórios e alterou fatores de ponderação de risco, desarmando as medidas macroprudenciais adotadas em 2010.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec/BC), Túlio Maciel, há algum efeito dessas medidas sobre o mercado de crédito, mas ele afirmou, mais de uma vez, que as medidas têm caráter mais regulatório, no sentido de normalizar as condições de crédito, do que dar um impulso ao mercado.
"Tem algum efeito no crédito, claro que tem, pode vir a ter, mas é um impacto moderado, mais específico em alguns segmentos. Está dentro do nosso cenário de evolução do crédito de 12% ao ano", disse.
Segundo Maciel, ainda assim, as medidas podem levar o BC a não revisar para baixo, novamente, a previsão de expansão do crédito de 12% em 2014. A revisão de projeções será feita em setembro.
Entre as medidas anunciadas pelo BC, estão estímulos específicos para o mercado de veículos e crédito consignado.
De acordo com Maciel, há alguns sinais preliminares de que houve melhora na concessão nesses segmentos, mas o BC não dispõe de dados. Em julho, o crédito para veículos caiu pelo sexto mês seguido, encolhendo 0,7% para R$ 185,204 bilhões Em 12 meses, o saldo acumula queda de 4,5%. A carteira de consignado subiu 1,2% no mês e 13,5% em 12 meses.
Segundo Maciel, o quadro geral para o mercado de crédito é de expansão em ritmo moderado, com inadimplência em patamar historicamente baixo.
O destaque negativo do mês foi o crédito para pessoas jurídicas com recursos livres, que caiu 1,1% no mês. "Há um componente sazonal para o crédito às empresas no mês de julho", disse, apontando que em julho do ano passado também foi observada uma redução. O saldo das carteiras de crédito para indústria, para o segmento rural, para o comércio e serviços apontou retração no mês passado.
Depois de breve recuo em junho, as taxas de juros voltaram a avançar. O juro médio total do sistema subiu a 21,4%, alta de 0,3 ponto percentual. Com recursos livres, a taxa para pessoa física foi a 43,2% nova máxima histórica.
O aumento dos juros ocorre apesar da queda no custo de captação dos bancos, que caiu pelo segundo mês, para 8,3% ao ano, menor desde outubro (8,2%).
Assim, o que explica a alta no custo do dinheiro para o tomador final são os spreads, que subiram a 13,1 pontos percentuais no mês passado, maior desde maio de 2012 (13,7 pontos). Para as pessoas físicas o spread foi de 19,4 pontos percentuais no mês passado, também o mais elevado desde maio de 2012 (19,8 pontos). Para as empresas o spread foi de 8,1 pontos, ante os 7,7 pontos em junho.
Desses dados pode-se inferir que embora emprestando menos, os bancos conseguem, em alguma medida, proteger suas margens de lucro, captando mais barato e cobrando mais do tomador na ponta do crédito. Tal percepção é reforçada pelo comportamento da inadimplência, que se manteve estável em 3% considerando a média do mercado. De fato, desde novembro do ano passado a taxa de calotes oscila entre 3% e 3,1%.
Considerando as operações de pessoas físicas com recursos livres, a taxa de calote foi de 6,6%, após 6,5% em junho. Essa taxa é a maior desde janeiro. Já as empresas mostraram inadimplência de 3,5% vindo de 3,4% no sexto mês do ano. A inadimplência total com recursos livres subiu de 4,8% para 4,9% no mês passado. No crédito com recursos direcionado, a inadimplência total se manteve em 1%.

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