Cai ritmo de captação de PGBLs e VGBLs em julho


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A desaceleração da economia e a menor margem para poupança já começam a afetar a captação dos planos de previdência privada aberta. Pesquisa das consultorias NetQuant e Towers Watson, com 884 fundos do setor, mostra em julho um ritmo menor de crescimento do saldo de ingressos nas carteiras na comparação com o período imediatamente anterior. Foi a segunda queda consecutiva no fluxo, que já havia recuado em junho em relação à maio.
O primeiro mês do segundo semestre registrou captação líquida de R$ 1,13 bilhão, enquanto junho trouxe entrada positiva de R$ 2,85 bilhões. Marcelo Nazareth, sócio da NetQuant, vê efeitos da atividade econômica mais fraca nesses resultados, mas ressalta que, passado o susto de 2013, o fluxo de recursos em PGBLs e VGBLs deverá se manter positivo. "Acredito que vá diminuir a captação à medida que a economia está esfriando e o dinheiro para poupança deve diminuir, mas não vejo uma reversão [de fluxo]", afirma.
Para o superintendente de investimentos da Brasilprev, Altair Cesar de Jesus, a demanda crescente e o potencial de expansão do mercado podem compensar uma eventual margem menor de poupança decorrente de uma desaceleração econômica. "A quantidade de pessoas fora da previdência é muito grande e deve sustentar o crescimento da captação", diz o executivo.
A renda fixa continua como grande puxadora de aportes para os fundos que recebem recursos de planos PGBL e VGBL. No mês passado, as carteiras do gênero receberam R$ 1,32 bilhão. Os multimercados também conseguiram manter um fluxo positivo, mas bem mais modesto, de R$ 85,5 milhões.
Na renda variável, a sangria se manteve, embora com menor força na comparação aos períodos anteriores. Os fundos com até 15% de participação em bolsa tiveram saídas líquidas de R$ 81,7 milhões. As carteiras com até 30% de ações registraram saldo negativo de R$ 95 milhões, enquanto aquelas com o máximo permitido pela legislação atual, de até 49%, apresentaram recuo de R$ 90,6 milhões no fluxo de recursos em julho.
As saídas líquidas nos fundos que têm fatias em renda variável contrastam com o bom momento do Índice Bovespa, que ocupou o topo do ranking de julho entre as maiores rentabilidades. O principal indicador da bolsa conseguiu uma alta de 5% no mês passado e já acumula um retorno de 8,39% em 2014 até o mês passado.
Com a subida da bolsa, as carteiras com maior participação de renda variável registraram a melhor performance em julho. O ganho médio alcançou 2,53%. Os fundos com até 30% obtiveram uma rentabilidade líquida média de 1,82% e os portfólios com até 15% de ações renderam 1,38%, já descontada a taxa de administração. Segundo Cesar de Jesus, da Brasilprev, "quando se tem um ambiente de estabilidade de taxa de juros faz sentido tomar um risco um pouco maior". No entanto, como a visão de curto prazo ainda prevalece, mesmo em um produto com foco no longo prazo, a captação das carteiras com participação em bolsa acaba prejudicada.
O investidor está mais cauteloso segundo Julio Callegari, chefe da área de renda fixa da gestora do J.P. Morgan. Ele tem observado uma entrada de recursos nas carteiras de previdência geridas pela casa menos expostas a títulos de longo prazo, os mais voláteis. No ano passado, os fundos que carregavam esse tipo de papel tiveram o desempenho bastante prejudicado pela alta no juro. "O investidor está mais preocupado em evitar o estresse", afirma. De acordo com o gestor, os fundos de previdência mais conservadores têm recebido tanto dinheiro novo quanto recursos provenientes de portabilidade.
Em termos de rentabilidade, Nazareth, da NetQuant, considerou julho "um mês neutro para a renda fixa". Segundo o especialista, "todos os indicadores ficaram bem próximos ao CDI [Certificado de Depósito Interfinanceiro, referencial de aplicações conservadoras]". Os fundos de renda fixa tiveram retorno líquido médio de 0,81% ante 0,94% do CDI no mês.
Já em 2014, ninguém bate as NTN-Bs, títulos públicos que pagam a variação do IPCA mais uma parcela fixa de juro. O IMA-B, que reflete a variação de uma cesta de NTN-Bs de vencimentos variados, subiu 10,75% no ano até julho. (Colaborou Luciana Seabra)



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