Banco público cresce mais no crédito, mas privado lucra mais Compartilhar:

Por Carolina Mandl e Fabiana Lopes | De São Paulo

Apesar de continuarem a crescer no crédito mais do que a média do sistema financeiro, os bancos públicos não conseguiram acompanhar as instituições privadas no quesito lucro de abril a junho deste ano. Enquanto juntos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander tiveram um resultado líquido de R$ 9,2 bilhões, com alta de 30,9% na comparação com igual período de 2013, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal lucraram R$ 4,7 bilhões, soma apenas 1,9% maior.
Os números levam em consideração os dados contábeis dos cinco maiores bancos. No caso do Banco do Brasil, o Valor excluiu da comparação o ganho que a instituição teve no segundo trimestre do ano passado com a oferta inicial de ações da BB Seguridade, que acrescentou R$ 4,68 bilhões ao lucro do maior banco do país.
No crédito, o cenário se inverte. No acumulado de um ano, a carteira dos bancos privados teve expansão de 7,4%, para R$ 969,9 bilhões. Em três meses, o avanço foi ainda mais modesto, de 0,98%. As instituições públicas - puxadas principalmente pela Caixa - atingiram R$ 1,2 trilhão, 19,6% maior em um ano e 4,5% a mais no trimestre.
Enquanto os privados buscaram compensar o crédito mais fraco em outras linhas do balanço, diferentes motivos levaram Caixa e Banco do Brasil a ter um avanço mais contido na última linha da demonstração.
Em comum, os maiores bancos públicos e privados do país - com exceção do Itaú Unibanco - apontaram alguma deterioração na qualidade dos ativos de março para junho. Os indicadores despertaram a atenção dos analistas sobre o que pode acontecer com a pontualidade nos pagamentos até o fim do ano.
A piora mais visível ficou com o Santander, cujo índice de inadimplência atingiu 4,1%, valor 0,3 ponto percentual maior em relação a fim do primeiro trimestre. Na contramão, o índice do Itaú mostrou melhora de 0,1 ponto percentual, para 3,4%. Pela comparação anual, todos os bancos privados mostraram melhora no índice de atraso nos pagamentos, enquanto os públicos apresentaram números piores.
Em termos de provisão para devedores duvidosos, o avanço mais significativo se deu na Caixa. Essa despesa somou R$ 3,95 bilhões, com expansão de 76,3% ante igual trimestre do ano passado.
Independentemente do tipo de controle, os bancos também ganharam mais com a intermediação financeira. A exceção é o Santander, cuja margem se retraiu. Mas, no conjunto, os cinco bancos tiveram uma margem de R$ 41,7 bilhões no segundo trimestre, valor 9,9% maior em relação ao mesmo intervalo de 2013. Quem mais avançou foi a Caixa, com alta de 20,7%. Além do crédito, ganhos de tesouraria trazidos por uma taxa básica de juros maior influenciaram os resultados.

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