Suicídios de agentes financeiros deixam setor preocupado

Legistas de Londres se preparam para investigar dois aparentes suicídios em um momento em que mortes aumentaram as preocupações a respeito da saúde mental

Ben Moshinsky, da 
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Executivos conversando
Executivos conversando: cultura agressiva e de trabalho duro do mundo financeiro pode estar causando o problema, dizem profissionais
Londres - Médicos legistas de Londres se preparam para investigar dois aparentes suicídios em um momento em que mortes inesperadas de trabalhadores de finanças ao redor do mundo aumentaram as preocupações a respeito da saúde mental e dos níveis de estresse no setor.
O inquérito sobre a morte de William Broeksmit, 58, um executivo de risco aposentado do Deutsche Bank AG encontrado morto em sua casa, em Londres, em janeiro, começará amanhã. O inquérito sobre Gabriel Magee, que tinha 39 anos de idade, era vice-presidente de operações em tecnologia do JPMorgan Chase Co. e morreu após cair do edifício-sede da empresa em Londres, de 33 andares, está programado para o fim de maio.
Os suicídios foram seguidos de outros ao redor do mundo, inclusive no JPMorgan em Hong Kong, além do de Mike Dueker, economista-chefe da Russell Investment Management Co. em Nova York. A cultura agressiva e de trabalho duro do mundo financeiro pode estar causando o problema, dizem profissionais que prestam assessoria sobre saúde mental no setor.
Estão sob maior risco “aqueles que não cultivaram amizades, conexões, fora de suas empresas”, disse Stewart Black, professor de liderança e estratégia global da IMD, uma faculdade de negócios de Lausanne, Suíça.
“Muitos executivos mantêm o nariz para baixo, trabalham duro, fazem um grande trabalho e realmente não cultivam laços extras”, disse ele. “Essas conexões mais amplas atuam como válvulas de escape”.
Os bancos estão se dando conta do tamanho do problema, disse Peter Rodgers, presidente da City Mental Health Alliance, que conta com o Morgan Stanley e o Bank of America Corp. entre seus membros.
Mudança cultural
Quando o grupo foi criado, no ano passado, por bancos, escritórios de advocacia e empresas de contabilidade como o Goldman Sachs Group Inc., a Linklaters LLP e a KPMG LLP, “ninguém na City estava realmente falando” a respeito de saúde mental, disse Rodgers. Agora, eles têm 18 empresas em sua lista, incluindo o Banco Central da Inglaterra.

O setor bancário “tem visto uma série de iniciativas” para melhorar o bem-estar de seu pessoal, mas elas “precisam ser aceitas como uma mudança cultural no topo”, disse Rodgers, que é também assessor jurídico adjunto da KPMG.
A família de Magee não retornou um telefonema em busca de comentário. Ed Adler, porta-voz da Broeksmit Family Foundation, com sede em Nova York, também não retornou um telefonema em busca de comentário. Kathryn Haynes, porta-voz do Deutsche Bank, em Londres, e Jennifer Zuccarelli, porta-voz do JPMorgan, preferiram não comentar.
O setor de finanças “tende a ter uma cultura de longas jornadas”, disse Emma Mamo, que gerencia iniciativas em ambientes de trabalho na Mind, uma instituição de caridade do Reino Unido que trabalha com saúde mental. “As pessoas não podem continuar com jornadas longas de trabalho; você precisa de perspectivas e tempo de ócio”.
Os casos das mortes de Broeksmit e Magee serão gerenciados por um investigador especializado, cujo papel, em caso de mortes repentinas ou inesperadas, incluindo suicídios, é questionar testemunhas e policiais para determinar onde, quando, como e por que elas ocorreram.
O Bank of America disse à sua equipe, no dia 10 de janeiro, que os agentes financeiros juniores devem ter alguns finais de semana de descanso. Christian Meissner, chefe de serviços bancários globais corporativos e de investimento no banco, disse em um memorando a funcionários que analistas e associados devem “tomar um mínimo de quatro dias de descanso por mês nos fins de semana”.
O JPMorgan, que teve pelo menos dois suicídios até esta altura do ano, não é membro da City Mental Health Alliance e não anunciou publicamente medidas para enfrentar os efeitos das mortes.
“O JPMorgan não se apresentou a nós e nós também não o procuramos”, disse Rodgers. “Há um período de luto. A última coisa que eles precisam é de nossa intromissão. Tenho certeza de que eles vão conseguir resolver essa situação”.

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