Pesos pesados



Por Alessandra Bellotto e Beatriz Cutait | De São Paulo - Valor Economico
Diante da perspectiva de que março não vai ser muito diferente do mês passado para a renda variável, as corretoras participantes da Carteira Valor reafirmaram a aposta em sete das ações que integraram o último portfólio. Mais que isso, as quatro principais recomendações para este mês com quatro indicações cada - Itaú Unibanco PN, Ambev ON, BB Seguridade ON, Pão de Açúcar PN - apresentaram valorização considerável em fevereiro, na casa dos 5%, especialmente se comparado com a queda de 1,14% do Ibovespa.
Ainda no grupo das sete ações que permaneceram na Carteira Valor para março, com três indicações cada, destacam-se Vale PNA, Ultrapar ON e Suzano Papel PNA.
O que todas essas empresas têm em comum? Pode-se dizer que cada uma delas é amplamente conhecida pela liderança em seu setor de atuação e pela solidez dos fundamentos. O mesmo vale para as últimas três companhias que voltam a figurar entre as principais apostas e completam o portfólio: BRF ON, Cielo ON e CCR ON.
BRF, por exemplo, é uma das indicações da Bradesco Corretora, por conta de seu poder de formação de preços suportado por participante relevante de mercado e canais próprios de distribuição, o que forma barreiras importantes de entrada a novos competidores. Além do potencial de valorização associado ao poder de impor preços no mercado local e consequente possibilidade de expansão de margens, a equipe de análise aponta como catalisador para o papel o Programa de Aceleração de Novos Negócios, anunciado recentemente, que deve gerar uma economia de R$ 1,9 bilhão por ano (mais de 50% do Ebtida) a partir de 2016. "Na atual cotação, consideramos que apenas 25% dos ganhos com o programa estão precificados", assinala a corretora, em relatório.
Tanto Cielo como CCR também são apontadas como empresas com resultados financeiros consistentes e fatia importante de mercado - fatores considerados defensivos em tempos de instabilidade como a vista neste ano.
Conforme destaca Felipe Volcato Ruppenthal, analista da Geração Futuro, a Cielo, além de geração de caixa forte e baixo endividamento, é uma empresa com potencial grande de crescimento e rentabilidade elevada. Em 2013, mesmo com a maior competição, a credenciadora de cartões registrou aumento em torno de 15% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida). A margem caiu ante 2012, mas manteve-se elevada, em 53,1%.
Entre as vantagens competitivas da concessionária de rodovias CCR, na visão do analista Claudio Duhau, da Ativa Corretora, destacam-se "um fluxo de caixa relativamente estável, exposição à atividade econômica doméstica, proteção contra a inflação e excelente perspectiva de crescimento, em função dos investimentos em infraestrutura no país". Além de apresentar resultados sólidos e endividamento saudável, Duhau ressalta que a empresa foi bem sucedida nos leilões de projetos greenfield em 2013, o que deverá alavancar seu valor de mercado. "A relação risco/retorno para as ações da CCR segue bastante favorável, sustentando nossa recomendação de compra", afirma o analista.
Conforme lembra Ruppenthal, da Geração Futuro, que emplacou quatro de suas cinco indicações para a Carteira Valor, a tese de investimentos para março não mudou nada, o que continua a implicar apostas mais seguras. "Estamos com a mesma cabeça, não houve nenhuma mudança de sentimento para as empresas", diz. Ele ressalta, contudo, que a sinalização do Banco Central de que o ciclo de alta do juro está chegando ao fim, assim como a divulgação de dados do PIB mais favoráveis, com expansão acima das estimativas do mercado, podem dar novo ânimo para bolsa no curto e médio prazo.
Também com um viés mais defensivo está Mario Mariante, chefe de análise da Planner Corretora. "Não enxergamos nada que justifique dizer que o mercado vai virar para cima." Segundo ele, sem o investidor estrangeiro, a bolsa não tem força. E, ainda que não espere uma piora, a Planner também optou por uma carteira com papéis de mais qualidade, tais como Pão de Açúcar e Ambev, que continuam a apresentar crescimento.

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