Mercado contesta decisão da CVM sobre voto na Oi

A decisão do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de liberar o voto dos controladores da Oi na assembleia de hoje da empresa desagradou o mercado. No pregão de ontem da Bovespa, as ações ordinárias da companhia tiveram queda de 13,05% e as preferenciais, de 11,14%. A assembleia vai aprovar o que deverá ser o primeiro passo para a fusão entre a tele brasileira e a Portugal Telecom, que é a atribuição de um valor aos ativos da empresa portuguesa no aumento de capital da Oi. A estimativa desse valor é de R$ 14 bilhões.

Na opinião de analistas do mercado, a decisão da CVM foi um retrocesso por contrariar jurisprudência recente da autarquia, que vinha, de certa forma, buscando evitar qualquer conflito na assembleia. Entende-se que a CVM abandonou essa preocupação e considerou apenas um aspecto: se a operação conferia benefício particular ao controlador que o impediria de votar. E concluiu que não.
O aval dado ao voto do controlador pela CVM foi interpretado pelo mercado como sinal verde para a fusão. A queda acentuada das ações da Oi pode ser explicada pela grande oferta de papéis da empresa, que deixará as cotações sob pressão até que o aumento de capital se concretize. A oferta tem garantia de um consórcio de bancos através de carta em que se comprometem a comprar as ações se não houver demanda suficiente.Os minoritários questionam a diluição em um aumento de capital bilionário e alegam que os ativos da Portugal estão superavaliados. Segundo o entendimento dominante na CVM, não haverá benefício aos controladores porque, ao final da operação, eles serão diluídos na mesma proporção dos minoritários.
O presidente da Oi, Zeinal Bava, disse que é preciso respeitar a decisão da CVM. Sustentou que a nova empresa resultante da fusão terá estrutura menos complexa, com menor alavancagem, maior fôlego financeiro e grandes mudanças na governança. E previu que as sinergias serão de R$ 5,5 bilhões.

Comentários

.