5 cuidados na hora de financiar uma franquia

O financiamento pode ser a chance de virar franqueado, mas exige análise e cuidado

São Paulo - Hoje, boa parte das franquias já aceita parte do investimento inicial através de financiamento. Para o empreendedor que não tem todo o valor inicial para instalar o negócio, o financiamento pode ser uma boa opção, mas é preciso cuidado.
As redes costumam ter duas formas de financiamento: ou fecham parcerias com bancos para disponibilizar condições e facilidades para os novos franqueados ou financiam elas mesmas o que falta do investimento inicial. "Quando o franqueado opta pelo banco, tudo vai depender do histórico dele na praça, o que pode facilitar ou atrapalhar a negociação. Mas, quando ele opta pelo financiamento pré-aprovado pela franqueadora, facilita o trâmite, já que aquele financiamento tem o aval do franqueador", explica Maurício Galhardo, sócio-diretor de Finanças da Praxis Business.
Para Diego Simioni, sócio-fundador da Goakira, consultoria empresarial especializada em franquias, o ideal é ter capital próprio. "Minha primeira recomendação é fugir do financiamento. Caso o candidato esteja confiante de que realizou a análise do fluxo de caixa esperado e conseguirá gerar caixa suficiente para pagar o financiamento e arcar com suas despesas próprias por alguns meses, minha sugestão é que seja financiado no máximo 30% do valor total investimento", explica Simioni.
Confira algumas dicas dos especialistas e cuidados que devem ser tomados antes de fechar o financiamento de franquia.
1. A parcela cabe no bolso?
Antes de entrar no financiamento, é preciso avaliar se a parcela cabe no bolso da empresa. Este processo deve ser feito junto com a empresa franqueadora. "O franqueado precisa ter em mente duas contas: a expectativa de investimento, e essa é uma informação que a franqueadora deve passar para ele, e a previsão para o primeiro ano de funcionamento, para que ele tenha uma visão geral do negócio", indica Galhardo.
Este exercício ajuda a avaliar o financiamento. "É preciso observar que nos primeiros meses de operação uma empresa costuma operar no negativo, portanto, muitas vezes a carência do financiamento é fundamental", explica Simioni.
2. Rever o prazo de retorno
Segundo Galhardo, o financiamento não atrasa nem antecipa o retorno da unidade, mas pode dar a ilusão de que o negócio está indo devagar. "O pagamento de um financiamento pode mascarar o prazo real de retorno da franquia, pois parte do capital que deveria ser investido no início da operação fica diluído entre vários meses", diz Simioni. 
O ideal é calcular o prazo sem financiamento. "É mais relevante analisar como o financiamento altera o ponto de equilíbrio de faturamento empresa", sugere o consultor da Goakira.
3. Atenção a outros financiamentos
Se o franqueado já tem financiamentos importantes, como o de um imóvel, é preciso pensar duas vezes antes de financiar a franquia. "Se a pessoa tem um histórico de contrair dívidas pessoais e controlar mal suas finanças, as chances de que ela carregue seus maus hábitos para a empresa são grandes", alerta Simioni.
Além disso, preste atenção no seu orçamento pessoal. "O candidato precisa definir qual o valor mínimo mensal ele necessita para arcar com suas despesas familiares", indica o consultor.
4. Prepare-se para lucro menor
Além de todas as despesas do negócio e as pessoais, o franqueado precisa arcar com os custos do empréstimo. Por isso, o lucro da franquia será menor por um período. "O franqueado precisa ter uma noção clara de que, talvez, enquanto estiver pagando essa dívida, o lucro será menor, e isso pode gerar uma sensação de que o negócio não está se pagando", explica Galhardo.
5. Compare taxas e prazos
Assim como outros tipos de empréstimos pessoais, o empreendedor precisa analisar bem as condições antes de aceitar o financiamento. Verifique as linhas disponíveis em bancos e com a própria franqueadora e faça uma comparação de taxas, prazos, garantias e condições. "Verifique se há carência para pagamento do empréstimo. Com a carência, o futuro franqueado terá um período no qual ele não precisa pagar a parcela do financiamento. Isso pode ser crucial para viabilizar o negócio", indica Simioni. 

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