Um craque de R$ 270 milhões


Neymar é praticamente uma empresa de médio porte, agora com sede em Barcelona, na Espanha. Entenda a lógica por trás dos números

Por Rafael FREIRE
A frase “ousadia e alegria” é praticamente um slogan da carreira do jogador Neymar, o maior craque do futebol brasileiro dos últimos anos, revelado pelo Santos. A expressão, inclusive, está estampada em suas chuteiras e talvez seja a melhor definição da personalidade do sucessor do Rei Pelé. Dentro das quatro linhas, Neymar será a grande estrela da Seleção do Brasil na Copa das Confederações. Fora delas, o garoto de 21 anos construiu uma imagem de bom-moço, que não se mete em polêmicas e evita bolas divididas. E, no melhor estilo futebol moleque, o camisa 11 do Santos conquistou os brasileiros, os patrocinadores e se transformou em uma marca milionária. 
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Ousadia, alegria e grana: no Barcelona, Neymar terá um salário
anual de R$ 18.5 milhões
Neymar pode ser comparado a uma empresa de médio porte. No total estima-se que sua transferência do Santos para o espanhol Barcelona, assinada na segunda-feira 27, movimentará mais de € 103 milhões (R$ 270 milhões). Isso porque, além dos € 28 milhões (equivalentes a R$ 74 milhões) pagos por seu passe, que serão divididos entre o Santos e seus investidores, o jogador embolsará cerca de € 40 milhões como luvas e mais € 35 milhões, referentes ao salário de cinco anos no clube espanhol. No Santos, Neymar tinha rendimento mensal de mais de R$ 3 milhões. A maior parte dessa bolada vinha de seus 13 patrocinadores, que rendem para o jogador R$ 30 milhões por ano, dos quais 10% eram embolsados pelo Santos. 

A quantidade de acordos comerciais do craque, por exemplo, é maior do que todos os outros jogadores da Seleção Brasileira somados. “O Neymar é resultado de aliança das qualidades de um grande craque com a simpatia de um garoto”, afirma Júlio Mariz, sócio da consultoria de marketing esportivo carioca Deponta. “Ele é o novo Ronaldo.” A fama e os resultados comerciais de Neymar são frutos de uma carreira meteórica de quatro anos no Santos, período no qual marcou 134 gols. Fora de campo, o craque também bateu um bolão. Ele foi um dos maiores responsáveis pela recuperação das finanças do Santos. 

Desde que passou a ser escalado no time profissional, em 2009, o clube do litoral paulista saiu de um prejuízo operacional de R$ 28,2 milhões para um lucro de R$ 30,1 milhões, no ano passado. No mesmo período, sua torcida cresceu 37,4%, a maior expansão entre clubes brasileiros. Já o faturamento vindo de patrocínios nas camisas subiu de R$ 18 milhões para R$ 50 milhões. “Ter o Neymar no time é muito lucrativo, tanto que, na ponta do lápis, poderia até ser interessante abrir mão da multa rescisória e concluir o contrato”, afirma Pedro Daniel, gerente da área de esportes da consultoria BDO Brazil. Para os investidores do jogador, no entanto, mantê-lo no time brasileiro não era interessante. 

Com a transação, o craque entrou para a lista das melhores tacadas do grupo DIS, braço esportivo da varejista gaúcha Sonda Supermercados. Em 2009, o grupo comprou 40% do passe de Neymar por R$ 7,5 milhões. Agora, com a venda para o clube europeu, receberá R$ 42 milhões por sua parte. Se estivéssemos falando de ações negociadas na bolsa, Neymar teria rendido 460%. Apesar dos valores superlativos, pode-se dizer que o atleta foi comprado na baixa. Por incrível que pareça, logo após a conquista da Copa Libertadores da América de 2011, seus direitos econômicos estavam avaliados em € 60 milhões. 

Naquela época, um cálculo feito pela BDO indicou que a grife Neymar valia R$ 300 milhões. Agora, com a camisa do Barcelona, o grande desafio do craque será internacionalizar sua marca. Para isso, ele deverá conquistar o futebol europeu no campo e fora dele. “Ou ele se consagrará como um dos melhores do mundo ou será uma decepção”, afirma Daniel, da BDO Brazil. Na nova casa, na capital da Catalunha, ele não será o centro das atenções nem a maior estrela do clube. Ao seu lado estarão os melhores e mais bem pagos jogadores do mundo, como o argentino Lionel Messi e os espanhóis Iniesta e Xavi. 
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