Revisão estratégica traz forte volatilidade para OSX



A família de empresas "X", controladas pelo bilionário Eike Batista, continua a dar o que falar na bolsa. Depois do recorde de apostas na queda (operações "vendidas") das ações da petroleira OGX, é a vez da OSX - companhia de estaleiro e arrendamento de plataformas de petróleo - agitar o mercado. Nos últimos dias, os papéis desta última experimentaram um vaivém alucinante. Após subir mais de 19% na sexta-feira (dia 17), caíram 10,4% na segunda-feira. Ontem, a ação vivia um pregão de euforia, com alta de dois dígitos.
O destino da "Embraer dos Mares" - como a empresa foi 'vendida' aos investidores por Batista à época do IPO (oferta inicial de ações), em março de 2010 - está ligado ao da OGX, sua principal cliente. E como a petroleira do grupo EBX é vista com desconfiança pelo mercado, após não entregar os resultados prometidos, a OSX também sofre. Neste ano, até dia 20, a ação cai 76,53%, bem mais que o tombo da OGX, de 60,73%.
O vaivém dos papéis da OSX começou após a companhia anunciar, dia 17, a alteração de seu plano de negócios e uma injeção de capital. A OSX exerceu o direito de venda de ações para o controlador no valor de US$ 120 milhões. A empresa ainda pode exercer o direito de vender mais US$ 380 milhões em ações ao grupo EBX até março do próximo ano. É um alívio, já que, no fim do primeiro trimestre, o endividamento da OSX superava R$ 5 bilhões.
No caso do plano de negócios, a empresa reduziu o ritmo de obras de seu estaleiro (onde são construídas as embarcações), no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. Segundo a companhia, a mudança se deve à "reconfiguração das necessidades de curto e médio prazo" da OGX. Sem confirmação de encomendas da petroleira do grupo EBX, não há porque investir no desenvolvimento do estaleiro. "Uma reformulação do plano de negócios da OSX é realmente necessária para adequação do ritmo de implantação do estaleiro à carteira de encomendas", afirma em relatório a analista Leila Maria Almeida, da Lopes Filho Consultores.
A equipe de análise do Credit Suisse lembra que, à época do IPO, a perspectiva era de que a OGX iria adquirir 48 plataformas de petróleo até 2020, o que garantiria o perfil de "empresa de crescimento" da OSX, diz relatório da instituição. Com a derrocada da OGX, não se discute mais as perspectivas de crescimento da OSX, mas qual o valor atual da companhia, tendo em vista os contratos já existentes. Hoje, a demanda confirmada, segundo comunicado da empresa, é formada pela construção de um navio para a Sapura Navegação Marítima e pela integração de duas plataformas para a Petrobras.
O problema é que, recentemente, o mercado passou a 'precificar' um cenário em que a OSX "fecha as portas" e não recebe as garantias mínimas da OGX pelos contratos atuais, segundo o relatório do Credit Suisse. Por essa perspectiva, a companhia "destruiria valor" ao desembolsar dinheiro em um estaleiro sem demanda. "Essa é armadilha de valor [em que a empresa se encontra]", afirmam os analistas Emerson Leite, Vinicius Canheu e Andre Sobreira.
Com a injeção de US$ 120 milhões e a redução de gastos com a obra do estaleiro, contudo, a OSX teria dado, na visão dos analistas do Credit, o primeiro passo para "sair da armadilha de valor". Com os recursos, seria possível suprir as necessidades de caixa para o cumprimento dos planos deste ano.
Sozinha, a injeção de capital de US$ 120 milhões já cria valor para o acionista minoritário, segundo o Credit. Isso porque a EBX comprou os papéis a R$ 40, muito acima da cotação em bolsa. Com ação na casa de R$ 2,40 antes da disparada recente, o valor de mercado, na última quinta-feira, era de R$ 720 milhões. Com o reforço de US$ 120 milhões (cerca de R$ 240 milhões), o valor de mercado passaria em tese a R$ 960 milhões. Com isso, o preço da ação deveria ser de R$ 3,1.
Após a divulgação do novo plano e da injeção de capital, o Credit Suisse reiterou a recomendação 'outperform' (acima da média do mercado) para os papéis da OSX, com preço-alvo de R$ 8,40. E isso só reflete um cenário em que a empresa é liquidada, mas recebe parte do dinheiro devido pela venda de plataformas e do próprio estaleiro. (Colaborou Daniela Meibak)

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