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Não é preciso ter ações da OGX para ter o bolso afetado pela especulação em torno dela. Saiba como o papel influencia o Ibovespa e os fundos de ações passivos

Por Fernando TEIXEIRA
A duplicação de 2,5% para 5% do peso das ações da OGX, do grupo EBX, no Índice Bovespa (Ibovespa) vai obrigar os administradores de fundos passivos de ações, que reproduzem o Ibovespa, a aumentar a exposição nesses ativos. Ao todo, os gestores de 204 fundos, cujo patrimônio total supera os R$ 10 bilhões, serão obrigados a comprar cerca de R$ 400 milhões em ações da OGX para enquadrar as carteiras às novas normas. Como resultado, os solavancos característicos da principal ação do chamado mundo X vão ficar mais perceptíveis para os cotistas. A volatilidade do papel chega a 85,35%, bem maior que a das ações da Petrobras PN, que está em 34,59%. 
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Um exemplo típico do comportamento dos papéis da petroleira de Eike Batista foi registrado na segunda-feira 6, quando a ação fechou em alta de 7,65%, embalada pelos rumores de que a empresa venderia parte de seus ativos para a malaia Petronas, confirmados na terça-feira 7. A alta não foi um movimento gradual. Ao contrário, a cotação fez vários zig zags e variou entre R$ 1,73 e R$ 1,97. “É um papel extremamente volátil e, com o aumento de sua participação, o Ibovespa ficará mais nervoso”, diz Adriano Moreno, analista da corretora baiana Futura Investimentos. Pela nova composição do índice, que entrou em vigor na segunda-feira 6, as ações mais relevantes são Vale PNA (8,59%), Petrobras PN (8,0%), OGX Petróleo ON (5,06%), Itaú Unibanco PN (4,40%) e Bradesco PN (3,47%).
Segundo Moreno, a carteira dos fundos indexados ao Ibovespa deve espelhar a composição do índice. A margem de manobra é estreita. Um fundo não pode ter menos de 5,01% ou mais de 5,11% em ações da OGX. “É muito peso para esse papel”, diz Adriano Gomes, professor da ESPM. Ele avalia que os investidores desses fundos correrão mais riscos. “A empresa não tem bons fundamentos financeiros e ainda não entregou os resultados prometidos”, diz. A perda de R$ 805 millhões no primeiro trimestre, ante os R$ 286 milhões no trimestre anterior, também não ajuda. Para complicar, lembra Gomes, o papel tem características especulativas. Eike Batista detém 61,09% das ações da OGX e os restantes 38,91%, que não fazem parte do bloco de controle e são conhecidos como free float, circulam livremente no mercado. 
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O volume médio diário de negócios, entre 2 de janeiro e 6 de maio de 2013, foi de R$ 287 milhões, para 28,27 mil transações. Para efeito de comparação, no mesmo intervalo, as ações do Itaú PN, quarta mais transacionada do índice, têm um volume médio de R$ 115,6 milhões para 12,48 mil negócios diários. “Cerca de 10% do free float deve ser negociado diariamente”, diz Gomes. “É muita troca de mãos para um ativo só.” Outro problema apontado por Gomes é que o Ibovespa é composto, em sua maior parte, por empresas de commodities. “Minério de ferro e petróleo somam quase 30% do peso do índice”, afirma. 
“Não há perspectivas de alta de preço para esses itens no curto prazo.” Ele lembra, por um lado, que está para começar o verão no Hemisfério Norte, o que reduz o consumo de combustível. Por outro, as expectativas são de que a China deverá demandar menos minério de ferro neste ano. Para Moreno, da Futura Investimentos, a nova composição da carteira, com a entrada de empresas menos expostas às oscilações das commodities, como BR Properties ON e Bradesco ON, vai influenciar pouco o rendimento do Ibovespa. “O peso desses papéis não chega a 1%”, diz. “Atualmente, varejo e serviços representam 70% da economia, e o Ibovespa não mostra com fidelidade o Brasil que dá certo.”
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