Poupança x Fundo DI


 Neste cenário, muitos investidores ainda se perguntam qual a melhor alternativa para alocar aqueles recursos que podem ter de ser resgatados em emergências de curto ou médio prazos, ou seja, exigem liquidez e previsibilidade de ganhos. Especialistas ouvidos pelo Valor observam que, num ambiente de expectativa de novas elevações de juros e com a inflação ainda alta, aplicações pós-fixadas tendem a tornar-se um pouco mais atraentes, porém, é essencial que tenham custo baixo.



Durante o ciclo de corte de juros, o que os números mostram é que o investidor buscou a comodidade e foi para a poupança. A captação de quase R$ 50 bilhões da caderneta no ano passado foi recorde absoluto, enquanto fundos DIs atraíram apenas R$ 6,4 bilhões.
Quase um ano depois da mudança das regras que reduziram sua remuneração (para 70% da Selic sempre que a taxa estiver em 8,5% ou abaixo disso), a caderneta continua sendo a preferência nacional. Além dos R$ 50 bilhões do ano passado, atraiu mais R$ 12,5 bilhões este ano (até 15 de abril), enquanto os fundos DI amargam saques líquidos de R$ 7,8 bilhões.
Para Édilo Valadares, diretor-executivo de pessoa física da Caixa, o fluxo de recursos mostra que a população compreendeu rapidamente a nova regra. "Como é isenta de tributos e não cobra taxas de administração, a remuneração da poupança é bastante atrativa", diz o diretor da Caixa. Este ano, até dia 18, a caderneta registra captação líquida de R$ 4,2 bilhões na Caixa.
Mais do que um entendimento - e aceitação das novas regras -, o que a forte captação da poupança indica é que o investidor de varejo ainda não descobriu o mundo dos fundos DI com taxa de administração menor. Em plataformas de corretoras de valores e butiques de investimento, é possível encontrar fundos com aplicações iniciais baixas e taxas reduzidas. "A poupança pode até ser uma opção para valores muito pequenos, mas para o dinheiro de emergência, que não pode correr riscos, é preciso pensar num fundo DI com taxa inferior a 1%", diz Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos.
Pelos cálculos do economista Marcelo d'Agosto, do blog "O Consultor Financeiro", no portal Valor, com a Selic a 7,5%, para que o fundo DI seja mais vantajoso que a poupança num prazo de seis meses a um ano é preciso que o fundo cobre taxa de administração inferior a 0,94%. O problema é que a taxa média de administração dos fundos DI de varejo está em 1,26%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Quando se relaciona a taxa de administração média com a aplicação mínima inicial, os dados da Anbima mostram que é preciso investir pelo menos R$ 25 mil de uma só vez para conseguir um fundo que cobre menos de 1% ao ano.
Isso não significa que o investidor conservador, que não abre mão da segurança, não consiga encontrar aplicação mais atraente que a poupança. Afinal, se a taxa média do fundo para o varejo é de 1,26% é porque existem fundos que cobram menos que isso. Levantamento da distribuidora de fundos Órama com base nos dados da Anbima mostra, por exemplo, que 42% dos fundos DI com aplicação inicial de até R$ 5 mil têm taxa de administração igual ou inferior a 0,5% ao ano. A seleção considerou fundos abertos e não exclusivos. Segundo a Anbima, no ano passado 18 fundos DI de varejo reduziram a taxa de administração e 22 diminuíram a aplicação inicial.
Bittencourt, da Apogeo, lembra que, além da rentabilidade reduzida, também a caderneta tem data de aniversário para os rendimentos mensais e sacar antes dela resulta em rentabilidade menor. Vale a pena, portanto, fazer as contas e buscar aplicações conservadoras que sirvam de alternativa para a caderneta. O dilema vale, contudo, apenas para recursos novos ou para o dinheiro que foi aplicado na poupança após a mudança na remuneração. Se a opção do investidor é por uma aplicação conservadora, recursos que estavam na caderneta antes da mudança da regra não devem ser redirecionados, avaliam os especialistas.
Guilherme Horn, presidente da Órama, vê como natural a atração que a caderneta exerce sobre o pequeno investidor brasileiro. A poupança, diz Horn, é sinônimo de aplicação simples, cômoda e segura. "O ser humano é avesso à mudança. E pôr dinheiro na poupança é um comportamento automático no Brasil. Mas isso já está começando a mudar", diz.
Segundo Horn, a redução da taxa de juros, aliada à mudança na remuneração da caderneta, desencadeou um processo de conscientização do investidor sobre os custos das aplicações financeiras. De meados do ano passado para cá, o que mais as pessoas perguntavam, diz Horn, era qual a taxa máxima que um fundo DI poderia cobrar para superar a poupança. "As pessoas passaram prestar atenção às taxas de administração, algo que não acontecia antes, porque o juro elevado dava um ganho alto sem esforço", afirma o presidente da Órama, que oferece um fundo DI com taxa de administração entre 0,30% e 0,50%.
O investidor pode encontrar fundos com custos abaixo da média do mercado em corretoras de valores. Na plataforma de distribuição da XP Investimentos, há cinco fundos DI com aplicação mínima abaixo de R$ 5 mil e taxas inferiores a 0,40%. Na corretora SLW e na CGD Securities, o investidor encontra um fundo referenciado DI, o BTG Pactual Yield Crédito Privado, com aplicação mínima de R$ 3 mil e taxa de administração que varia entre 0,30% e 1%. Na CGD também há um referenciado DI, da Mapfre Investimentos, com taxa de 0,30% e barreira de entrada baixa (apenas R$ 500). A Coinvalores tem um DI com taxa de 0,60% e aporte inicial R$ 5 mil. Opções conservadoras à caderneta de poupança, como se vê, existem. Basta o investidor correr atrás.

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