Investidor externo prefere as ações do "Brasil novo


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O bom desempenho das bolsas estrangeiras, sobretudo a dos EUA, sugere que não há desânimo global com o mercado de ações. No Brasil, o saldo líquido de capital externo na Bovespa está positivo em quase R$ 7 bilhões no primeiro bimestre. Mesmo assim, o Ibovespa acumula perda de 8,21% no ano.
Um olhar mais atento aos papéis negociados na bolsa ajuda a decifrar o mistério. O mercado está rejeitando as blue chips e dando prioridade a ações de companhias com bons fundamentos, vantagens competitivas e receitas estáveis. As maiores altas não estão entre as ações mais conhecidas. Entre as 20 que mais subiram, apenas 9 papéis compõem o Ibovespa. No grupo das 20 que mais caíram, 13 estão no índice.

O investidor estrangeiro rejeita o "Brasil velho" e compra o "Brasil novo", observa Roger Oey, superintendente de pesquisa do Espírito Santo Investment Bank. O velho são as empresas industriais, grandes e pesadas. O novo, as que vendem para a nova classe média e as que faturam com o baixo nível de desemprego. O Brasil novo também inclui companhias com administração privada e menos passíveis de intervenções governamentais, voltadas à economia local.
Levantamento feito pelo Valor Data com 130 ações mostra que os ganhos são liderados por empresas com perfil de "small caps" ou que ficam menos expostas ao mercado externo e às commodities, como Grendene, Anhanguera e América Latina Logística (ALL). As maiores baixas são lideradas por OSX, OGX, Eletropaulo, MMX e Petrobras.
O estrategista da Santander Corretora, Leonardo Milane, diz que o investidor está comprando "o que tem fundamento bom". Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos, observa que as ações mais procuradas são as de "empresas com vantagens competitivas, receitas estáveis, baixo endividamento e eficiência operacional".

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