Mercado digere balanço da Vale e faz Bovespa cair



A Vale reportou prejuízo pior que o esperado no quatro trimestre, de US$ 2,647 bilhões, no primeiro resultado negativo registrado pela mineradora desde o terceiro trimestre de 2002

Ana Luísa Westphalen, do 
Gustavo Kahil/EXAME.com
Sede da BM&FBovespa, em São Paulo
Bovespa: às 10h18, o Ibovespa operava em queda de 0,13%, aos 57.193 pontos
São Paulo - A Vale, que tem conduzido o Ibovespa para o positivo nos últimos dois pregões, continua ditando o rumo da Bolsa na sessão desta quinta-feira, mas desta vez pressiona o índice à vista para baixo.

A Bolsa deve ser regida nesta quinta-feira leitura que o mercado, e principalmente os investidores internacionais, farão do balanço da mineradora, que apresentou seus números ontem, após o fechamento do mercado. No after market, ontem, o papel PNA da companhia, segunda ações de maior peso no índice à vista, recuou 1,55%. Às 10h18, o Ibovespa operava em queda de 0,13%, aos 57.193 pontos.
"O balanço da Vale foi ruim, mas teve muitos itens não recorrentes, então o mercado precisa se debruçar sobre esses números. Vamos ver a leitura que os gringos vão fazer, pois quem manda são eles", avaliou o operador de mesa de renda variável de uma corretora paulista.
A Vale reportou prejuízo pior que o esperado no quatro trimestre, de US$ 2,647 bilhões, no primeiro resultado negativo registrado pela mineradora desde o terceiro trimestre de 2002. Neste momento, a empresa realiza teleconferência para comentar os resultados.
No exterior, os índices futuros das Bolsas de Nova York ensaiavam um movimento de valorização e acrescentam um viés positivo para a Bovespa. No mesmo horário, o futuro do S&P 500 subia 0,07%.
A expectativa é pela divulgação da segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, referente ao quarto trimestre de 2012, logo mais, às 10h30. "Pode ser que a Bovespa fique de lado até a divulgação desses números do PIB nos Estados Unidos", prevê um operador.
A previsão é que a maior economia do mundo tenha crescido 0,5% nos últimos três meses do ano passado ante o trimestre anterior, revertendo o resultado apurado na primeira leitura, de contração de 0,1%, mas ainda em ritmo mais fraco que o registrado no período entre julho e setembro (+3,1%).

Na Europa, as principais praças acionárias operam em alta pelo segundo dia consecutivo. Às 10h19, a Bolsa de Londres subia 0,29%, Paris ganhava 0,12% e Frankfurt avançava 0,58%. Na contramão, a Bolsa de Milão caía 0,14%. Ontem, os presidentes do Federal Reserve, Ben Bernanke, e do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, defenderem suas políticas de afrouxamento monetário, o que deixou as preocupações com a Itália em segundo plano.
No caso dos Estados Unidos, as negociações em torno dos cortes de gastos federais norte-americanos também seguem no foco, com os investidores ainda alimentando esperança de um acordo de última hora.
A Casa Branca e a bancada republicana no Congresso decidiram recomeçar na sexta-feira (01/03) as discussões sobre o assunto, com prazo máximo marcado para 27 de março. Isso não contorna o disparo automático, a partir da zero hora de amanhã, do corte de US$ 110 bilhões nas despesas do governo dos EUA neste ano.
Além da segunda leitura do PIB dos EUA, outros eventos previstos na agenda desta quinta-feira são os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país (às 10h30), o índice de atividade industrial em fevereiro apurado pelo ISM de Chicago (11h45) e o índice regional de atividade de Kansas City também referente a este mês (13 horas).

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