Junk bonds viram reis com demanda dez vezes maior que oferta


O frigorífico Minerva SA aumentou em 70 por cento o volume de títulos junk vendidos na operação da semana passada, para US$ 850 milhões

Boris Korby e Gabrielle Coppola, da 
BM&FBovespa/Divulgação
Painel da Bovespa
Empresas brasileiras estão se juntando às da China e da Turquia na maior emissão de títulos junk para um começo de ano
São Paulo - Os gestores de fundos de mercados emergentes, com muito dinheiro em caixa, estão emprestando dinheiro para empresas com piores notas de crédito em um ritmo sem precedentes, enquanto buscam impulsionar os retornos em meio a rendimentos em mínimas históricas.
O frigorífico Minerva SA aumentou em 70 por cento o volume de títulos junk vendidos na operação da semana passada, para US$ 850 milhões, depois de receber demanda para emitir até US$ 6,5 bilhões.
O concorrente Marfrig SA emitiu US$ 100 milhões a mais do que os US$ 500 milhões pedidos inicialmente, em uma operação cuja demanda superou US$ 3,5 bilhões.
Empresas brasileiras estão se juntando às da China e da Turquia na maior emissão de títulos junk para um começo de ano. Os rendimentos de papéis grau de investimento de economias em desenvolvimento caíram para 3,96 por cento neste mês, contra 6,56 por cento dos títulos com notas de crédito inferiores.
Ao mesmo tempo em que o Federal Reserve disse em 10 de janeiro que o mercado de junk bonds pode estar superaquecido, investidores apostam que uma recuperação na economia americana e a estabilidade da Europa estimularão os ganhos de títulos de dívida para as as empresas mais necessitadas, de acordo com o AllianceBernstein LP, que administra cerca de US$ 419 bilhões.
Mais de US$ 4 bilhões foram investidos em fundos de dívidas de mercados emergentes nas últimas duas semanas, o maior fluxo desde pelo menos 2007, mostram dados da EPFR Global.
“Os investidores acreditam que os papéis de alto rendimento vão ter um desempenho acima do mercado, e é aí que as pessoas querem colocar seu dinheiro para trabalhar”, disse Shamaila Khan, gestora de fundos de mercados emergentes da AllianceBernstein, em entrevista por telefone, de Nova York. “Você vê que isso no excesso de pedidos em novas emissões e disparadas no mercado secundário.”

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