Desafio da Petrobras em 2013 é conter a queda na produção


Valor Economico
O grande desafio da Petrobras neste ano é tentar conter a queda na produção de petróleo. Uma produção menor significa maiores dificuldades para transformar os pesados investimentos da companhia em receitas. Segundo cálculos de especialistas, a estatal pode ter registrado no ano passado a terceira queda de produção em seus 59 anos de existência.
A primeira aconteceu em 1990, durante o governo de Fernando Collor, e a segunda em 2004, quando a companhia produziu 3% menos que no ano anterior. Apesar de ter registrado um aumento de 1,5% na produção em novembro, a Petrobras deve encerrar 2012 e passar todo o ano de 2013 sem nenhuma grande alteração nos volume de produção pelo terceiro ano consecutivo. Até novembro, a produção de 2012 estava em 1,968 milhões de barris diários, 2,3% abaixo dos 2,021 milhões de barris registrados em 2011.

Uma das explicações para a piora no desempenho da estatal é, curiosamente, a descoberta do pré-sal, em 2007. Para cumprir os prazos estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para exploração do pré-sal, a empresa abriu mão de usar os recursos disponíveis para aumentar ou pelo menos manter os níveis da produção de petróleo.
Em dezembro, a presidente da Petrobras, Graça Foster, usou a palavra "manutenção" ao descrever sua expectativa para a produção em 2013. Essa também é a previsão dos bancos de investimento, como o do Bradesco, que só conta com uma reação em 2014. Para 2013, o Credit Suisse espera uma média de 2,016 milhões de barris/dia, 0,25% menor que os 2,021 milhões de barris registrados em 2011. O Itaú BBA é mais pessimista: prevê queda de 2% no ano passado e, para 2013, a expectativa é que a produção seja de 1,985 milhões de barris, devido ao grande numero de paradas para manutenção e atraso na entrega de novas plataformas.
A queda da produção de petróleo no Brasil preocupa a ANP e sua diretora-geral, Magda Chambriard, quer que a Petrobras reveja o plano de desenvolvimento da produção de alguns campos gigantes, vários deles apresentados há mais de uma década. "Alguma coisa nos projetos tem que ser melhorada", disse ao Valor.

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