Com juro menor, crédito agora atrai até a classe A



A forte redução dos juros também mudou a vida financeira dos brasileiros endinheirados. Com a taxa Selic a 7,25% ao ano, os milionários começam a achar mais vantajoso tomar crédito do que pôr a mão no bolso para adquirir bens de valor elevado - imóveis de altíssimo luxo, aviões, helicópteros etc. - e até para realizar investimentos.
O volume de crédito no segmento de private banking - que abriga clientes que têm mais de R$ 1 milhão só para aplicações - cresceu 33,2% em 2012 (até setembro, último dado disponível), mais que o dobro do crédito para pessoa física em geral. "Nossa carteira de crédito no private cresceu 50% no ano passado. Na parte imobiliária, o volume dobrou", diz Luiz Severiano Ribeiro, diretor do Itaú.

"Os clientes podem pagar o que quiserem à vista, mas percebem que não há motivo para desmontar uma carteira de investimentos que rende mais que o custo da dívida", afirma Gabriel Porzecanski, diretor de "private bank" do HSBC, cujo carro-chefe tem sido empréstimos para aquisição de imóveis, sobretudo nos EUA. Por essa lógica, não há motivos para se desfazer de parte de uma carteira de ações que pode render 12%, 15%, 18% ao ano para comprar um helicóptero com uma linha de crédito de 9% ao ano, por exemplo.A perspectiva dos executivos de bancos ouvidos pelo Valor é de que o ritmo dessa expansão siga em dois dígitos nos próximos anos. O estoque de crédito no segmento era de R$ 12,75 bilhões em setembro, o que representa apenas 2,6% dos ativos totais sob gestão (R$ 496,2 bilhões). Nos grandes bancos globais, a relação entre ativos e crédito no segmento supera 10%. "Em outros países nos quais atuamos os empréstimos representam 15% dos ativos", afirma Maria Eugênia López, diretora do "private banking" do Santander, que viu as concessões de crédito a milionários avançarem 40%.
Das cinco linhas do private, a que mais cresceu em 2012 foi a de "empréstimos diversos", operações de curto prazo cujo volume aumentou 153% e atingiu R$ 3,79 bilhões. "O financiamento de aeronaves tem sido, junto com os imóveis, um grande atrativo no segmento", afirma Ribeiro, do Itaú.

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