Bancos reveem a oferta de crédito à baixa renda



Os bancos tiveram que reformular os modelos de concessão de crédito e a estratégia de atuação com as classes de menor renda, recém-chegadas ao sistema bancário - 42,5 milhões de pessoas de meados de 2005 até o fim de 2012. A incorporação dessa multidão ao setor, uma das mais velozes no mundo, aumentou a inadimplência da pessoa física, que fechou novembro em 7,8%, só 0,1 ponto percentual abaixo da máxima histórica. Em reação, houve aperto nas condições de oferta do crédito. Até uma das "regras de ouro" do negócio, o teto informal de até 30% no comprometimento da renda mensal do tomador, foi revista.
"Há alguns anos, não havia histórico do comportamento desse cliente. Agora começamos a separar o joio do trigo", diz Octavio de Lazari Junior, diretor da área de empréstimos e financiamento do Bradesco. O índice de inadimplência da pessoa física no banco encerrou o terceiro trimestre em 6,2%.

Boa parte das estratégias adotadas pelos bancos para a baixa renda diz respeito ao aumento da precisão dos modelos de concessão de crédito a esse público. No Santander, essas melhorias são feitas desde 2008 e ganharam um reforço extra em 2012. Segundo Oscar Herrero, vice-presidente de risco do Santander Brasil, a equipe de matemáticos e estatísticos que trabalham na operação de varejo cresceu, assim como diminuiu a periodicidade de atualizações dos modelos de concessão, agora trimestrais.Com mil agências abertas só no fim de 2011, o Bradesco tem na baixa renda um público-chave na concessão de crédito. O banco foi um dos primeiros a perceber que, nessa faixa, o monitoramento do gasto mensal do cliente com dívidas precisa ser mais estrito, algo entre 10% a 12%, diz Lazari. Além desse nível, a oferta de crédito é feita com muito mais cautela.
Rodrigo Del Claro, presidente da Crivo TransUnion, empresa que desenvolve modelos de crédito para bancos e financeiras, diz que, na ausência de um histórico tradicional, há uma série de pistas a serem usadas. "O gasto com a conta de luz tem uma correlação altíssima para predizer a inadimplência", afirma. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, combinados com o endereço do cliente e até mesmo de sua zona eleitoral, também ajudam a compor um perfil mais preciso, diz Del Claro.

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