Taxa de administração baixa para superar a poupança


No período compreendido entre os dias 16 de outubro e 16 de novembro deste ano, o rendimento dos depósitos na caderneta de poupança feitos após a modificação das regras, no começo de maio, foi de 0,4134%.

Dos 156 fundos conservadores que fazem parte da categoria DI, sem restrição para aplicações, com patrimônio acima de R$ 10 milhões e que reúnem mais de 100 cotistas, 89 conseguiram ganhos superiores à tradicional aplicação no mesmo período, depois de descontado o Imposto de Renda. Todos possuem taxa de administração de, no máximo, 0,75% ao ano.
Apesar de maioria, os fundos com taxa baixa não estão entre os mais facilmente disponíveis para o potencial cotista. A estrutura do mercado de fundos de investimento reserva, proporcionalmente, grande parcela dos melhores produtos para os clientes mais ricos. É uma distorção antiga, que ainda levará algum tempo para ser corrigida.
As carteiras mais rentáveis reúnem 70% do patrimônio total, mas apenas 20% da quantidade total de cotistas. Os fundos mais caros e que perdem da poupança, por sua vez, representam apenas 30% do patrimônio, apesar de agruparem 80% do número de investidores.
Como consequência dessa estrutura de mercado, a aplicação média nas carteiras mais rentáveis é de R$ 2 milhões, ao passo que o investimento médio nos fundos que perdem da poupança é de R$ 80 mil. Melhorar o acesso de todos os clientes aos bons fundos DI ainda é um desafio para a indústria de gestão de recursos.
O gráfico abaixo mostra a distribuição de frequência das taxas de administração dos 156 fundos DI analisados. A primeira barra indica que 13% do total possuem taxa de administração até 0,25% ao ano. Nessa faixa, todos ganharam da poupança.
Com taxa entre 0,25% ao ano e 0,75% ao ano estão 42% das carteiras e praticamente todas superaram a poupança no período avaliado. Os fundos que perderam da caderneta estão concentrados nas faixas de taxa de administração mais alta.
Existe uma relação inversamente proporcional entre a rentabilidade dos fundos de investimento conservadores e o custo. É possível, inclusive, calcular o limite para a taxa de administração que iguala a rentabilidade líquida da carteira com a poupança, como foi descrito em post anterior. Atualmente, com a Selic em 7,25% ao ano, o custo máximo do fundo deve ser de 0,9% ao ano.
Com a remuneração da poupança tão competitiva, o investidor deve eliminar do portfólio fundos de investimento com taxa de administração acima de 1,75% ao ano. As facilidades operacionais não justificam a baixa rentabilidade.

.

.