Fortuna de Eike passa à 3ª do país após perda de US$ 6,8 bi


O patrimônio de Eike, avaliado em US$ 12,7 bi, está atrás do de Jorge Paulo Lemann, investidor da Anheuser-Busch InBev, e Dirce Camargo, herdeira do setor de construção

Alex Cuadros, da 
Os empresários Jorge Gerdau e Eike Batista
Os empresários Jorge Gerdau e Eike Batista: Eike perdeu o título de pessoa mais rica do Brasil no mês passado para Jorge Paulo Lemann, investidor da Anheuser-Busch InBev
São Paulo  - O patrimônio líquido de Eike Batista é US$ 6,8 bilhões menor do que o estimado anteriormente devido aos novos detalhes do acordo para a venda de uma participação no EBX Group Co., que representam um valor menor para o conglomerado, segundo o Índice Bloomberg de Bilionários.
Eike perdeu o título de pessoa mais rica do Brasil no mês passado para Jorge Paulo Lemann, investidor da Anheuser-Busch InBev. Em 7 de dezembro, Eike recuperou o posto e, agora, está em terceiro lugar, atrás de Lemann e de Dirce Camargo, herdeira do setor de construção civil. O patrimônio de Eike está avaliado em US$ 12,7 bilhões, segundo o ranking da Bloomberg.
Ao vender 5,63 por cento do EBX Group Co. para a Mubadala Development Co., fundo soberano de Abu Dhabi, por US$ 2 bilhões em março, o bilionário brasileiro concordou em ceder uma fatia adicional de sua holding em 2019 se não entregar retorno anual de 5 por cento sobre o investimento do fundo, segundo uma pessoa com conhecimento do acordo.
Os termos publicados inicialmente sobre a transação avaliavam o conglomerado de Eike, de 56 anos, em US$ 35,5 bilhões. Com base no preço das ações das empresas de capital aberto em que o bilionário tem participação, na época do anúncio, o acordo avaliava as empresas fechadas de Eike em US$ 10,6 bilhões. O ranking da Bloomberg não considera mais esse prêmio às empresas fechadas porque os termos do acordo consideram um valor total menor para o grupo do bilionário.
Desconto em ativos
“Eu preferiria embutir um desconto bem grande nesses ativos sem ações em bolsa”, disse Ed Kuczma, que ajuda a administrar cerca de US$ 36,4 bilhões em ativos na Van Eck Associates Corp. e que não detém ações das empresas de Eike. “Elas não estão gerando fluxo de caixa e deve demorar para que isso aconteça. Dado o histórico recente das empresas abertas, se elas vierem ao mercado, investidores vão exigir um desconto.”
Após repetir várias vezes que se tornaria a pessoa mais rica do mundo, Eike agora está em 73º lugar. Ele chegou a ter patrimônio de US$ 34,5 bilhões no fim de março, após anunciar o acordo com a Mubadala. No ano, perdeu US$ 9,8 bilhões, mais do que qualquer outra pessoa no Índice Bloomberg de Bilionários, depois que o valor de suas empresas de recursos naturais e logística despencou em função de prejuízos, atrasos e metas de produção não cumpridas.
A EBX, sediada no Rio de Janeiro, não quis comentar a queda no patrimônio de Eike no levantamento da Bloomberg e fez referência ao e-mail enviado pelo empresário em 30 de novembro, quando ele perdeu o título de pessoa mais rica do País para Lemann.
“O Brasil merece ter mais brasileiros nessa lista”, disse Eike no e-mail.

As assessorias de imprensa da EBX e do Mubadala não quiseram comentar a estrutura do acordo entre as duas empresas e fizeram referência ao comunicado de março que anunciou o negócio.
Acordo com Mubadala
Pelos termos anunciados em março, a Mubadala adquiriu uma “participação acionária preferencial” no Centennial Asset Brazilian Equity Fund LLC e outros veículos de investimento no exterior de Eike. O acordo deu à Mubadala 5,63 por cento de cada participação de Eike em suas empresas de capital aberto e de capital fechado, além do mesmo percentual em qualquer novo empreendimento.
Em 2014, Eike terá opção de recomprar metade da fatia vendida à Mubadala, de acordo com a pessoa com conhecimento da operação, que pediu para não ter o nome revelado porque os detalhes são privativos. A pessoa não quis dizer como a meta de 5 por cento é mensurada.
A Mubadala liberou um empréstimo de 7,35 bilhões de dirhams (US$ 2 bilhões) garantido por “papéis listados e garantias” a uma terceira parter não identificada, de acordo com o balanço de resultados do fundo referente ao primeiro semestre. O acordo tem “retorno mínimo garantido”, vence em 2017 e pode ser prorrogado pela Mubadala por mais dois anos, de acordo com o documento.

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