Tesouro já banca 51% dos empréstimos do BNDES



Os empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES são a fonte de mais da metade dos desembolsos do banco para empresas e projetos de infraestrutura. Dos R$ 285 bilhões que o Tesouro foi autorizado a emprestar ao banco de fomento de janeiro de 2009 até setembro deste ano, R$ 250,2 bilhões já foram sacados. Somados aos retornos desses financiamentos, são R$ 276,6 bilhões em empréstimos. O valor corresponde a 51,4% dos desembolsos totais de R$ 538,2 bilhões feitos pelo banco estatal nesse período.
No documento em que presta contas do uso de recursos repassados pelo Tesouro - encaminhado trimestralmente ao Congresso Nacional -, o BNDES argumenta que os empréstimos totais de R$ 276,6 bilhões possibilitaram investimentos superiores a R$ 374 bilhões e foram responsáveis pela manutenção ou geração de 8,6 milhões de empregos. As transferências do Tesouro ao BNDES surgiram em 2009, no auge da crise internacional, como parte da política anticíclica adotada pelo governo para evitar impactos recessivos na economia brasileira.

Para Mansueto, os custos embutidos nessa política anticíclica deveriam ser mais claros para a sociedade e alguns empréstimos feitos pelo BNDES para grandes companhias poderiam ser substituídos por mecanismos privados de financiamento.Para o economista do Ipea, Mansueto de Almeida, os repasses também estão ajudando a elevar o endividamento público. Em 2007, R$ 8,2 bilhões da dívida pública tinham origem em empréstimos feitos ao BNDES e representavam 0,7% da dívida pública líquida (de R$ 1,1 trilhão) ou 0,48% da dívida pública bruta (R$ 1,7 trilhão). Até setembro, os repasses ao BNDES (incluindo os R$ 250 bilhões da política anticrise, outros repasses e os valores do Fundo da Marinha Mercante) passaram a representar 21,7% da dívida líquida (R$ 1,5 trilhão) e 13% da dívida bruta (R$ 2,5 trilhões).
O presidente da Associação Keynesiana Brasileira, Luiz Fernando De Paula, discorda das críticas de Mansueto. Para ele, qualquer limitação ao poder do governo de elevar o orçamento do banco por meio de recursos do Tesouro poderia inibir a agilidade da União de reaquecer a economia em momentos de turbulência.

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