Não faça de sua vida uma fábula com final infeliz


Várias fábulas retratam a oposição entre os disciplinados e os desregrados. De cabeça, cito “Os Três Porquinhos“, “A Cigarra e a Formiga“ e “A Lebre e a Tartaruga“. Os precavidos saem vitoriosos em todas. Apesar disso, não são bons personagens, não são atraentes. Suas vidas metódicas são entediantes. O mesmo acontece no âmbito das finanças pessoais. Poupadores são confundidos com sovinas, avarentos. O consumo imediato tem mais apelo. Frases como “O futuro a Deus pertence”, “Depois a gente morre e deixa tudo aí” e  “Ninguém leva nada para o caixão” reforçam a ideia de que a poupança é desnecessária. E as “necessidades” de consumo não param de crescer. Entre a década de 70 e hoje, as residências brasileiras de classe média foram invadidas por celulares, iPads, leitores de DVD, computadores, jogos eletrônicos, banda larga, canais a cabo, micro-ondas. Com mais gastos, poupar fica mais difícil. Não é exagero dizer que o ato de economizar acaba sendo malvisto socialmente. Mas, infelizmente, poupar é necessário para a maioria das pessoas.

Divido os trabalhadores em dois grupos: os de “fluxo” e os de “estoque”. Como assim? Na primeira turma se encontram aqueles que receberão uma renda constante,  mesmo após se aposentarem. O caso clássico é o dos funcionários públicos. Se esses conseguirem que seus gastos caibam dentro de seus rendimentos, a formação de uma poupança ao longo da vida produtiva não é necessária. Por outro lado, aposentados do setor privado que ganham acima do teto terão suas rendas reduzidas após se retirarem. Assim, esses terão que formar um “estoque”, uma poupança que suporte os gastos extras. Caso isso não ocorra, o padrão de vida cairá. Mas calma! Restam algumas possibilidades para não precisar poupar. Você pode ser sortudo, ganhar na loteria ou receber uma grande herança para bancar seus gastos extras. Há ainda algumas alternativas incômodas, como ser sustentado por parentes ou amigos.
Assim, se você não for da turma de “fluxo”, não tiver sorte ou não contar com um irmão solidário como o porquinho da casa de alvenaria da história infantil, restarão duas opções: poupar para ter um colchão para suportar seus gastos na aposentaria ou fazer de sua vida uma fábula com final infeliz.

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