Marcando posição


Valor Economico

A inflação resistente, quesito que chegou a estremecer a relação do mercado financeiro com o governo Dilma em geral e com o Banco Central em particular, é tema dominante nesta semana. Vários índices de preços estão no gatilho, incluindo leituras iniciais de novembro. Mas o resultado do IPCA de outubro, que sai na quarta-feira e deve se aproximar de 0,60%, é destaque. Confirmada, essa variação leva a taxa em 12 meses a cerca de 5,5% - andar mais elevado desde fevereiro.
Na quinta-feira, o BC divulgará em Recife mais uma edição do Boletim Regional. O diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, apresentará o documento que analisa informações regionais do país. E terá nesse evento a oportunidade de reeditar sua enfática defesa do regime de metas de inflação e continuar marcando a posição do BC.
O diretor reiterou na semana passada, durante o IV Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, que o BC trabalha com um cenário de convergência da inflação do IPCA para 4,5% e foi além ao afirmar que nos próximos anos a política monetária continuará sendo conduzida “com foco exclusivo” no compromisso com a estabilidade de preços e metas de inflação. 
Cristiano Romero, editor-executivo e colunista do Valor, alerta para o pronunciamento contundente do diretor que repetiu literalmente palavras usadas, em evento público dias antes, pelo presidente do BC, Alexandre Tombini .
“Após 13 anos de adoção e oito anos consecutivos em que as metas foram cumpridas, o regime de metas se consolidou e comprovou ser o que melhor se adéqua à realidade brasileira e a um ambiente global em que os choques têm sido cada vez mais frequentes e mais intensos”, discursou Araújo.
O timing, analisa o colunista, não poderia ser melhor, lembrando que as críticas não só ao regime de metas, mas também ao sistema de câmbio flutuante, vêm de fora e de dentro do governo. Uma das principais críticas é a de que a gestão Tombini perdeu a autonomia que o BC possuía nos governos anteriores e tem se curvado a pressões do Ministério da Fazenda e do Palácio do Planalto.

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