Um quê de otimismo Compartilhar:


Por Alessandra Bellotto e Karla Spotorno | De São Paulo

Depois de quatro meses fora do radar, os papéis preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras voltam a figurar em outubro no grupo das dez ações mais recomendadas para a Carteira Valor. No entanto, com duas indicações, os papéis da petrolífera ainda ficam atrás de sua grande parceira no Índice Bovespa, a também blue chip Vale PNA, que lidera a preferência dos analistas com três citações, uma a mais que em setembro.
O reencontro da dupla na carteira pode ser um sinal de melhora do humor em relação ao mercado, que passou por um momento de alívio em setembro, após o anúncio de novas medidas de estímulo às economias no exterior. No mês passado, o grande evento aconteceu nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) acionou o gatilho da terceira rodada de afrouxamento monetário (QE3, na sigla em inglês), que vai injetar por tempo indeterminado cerca de US$ 40 bilhões por mês na economia.
Na Europa, foi aprovado um novo programa de compra de títulos soberanos no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE), o que diminuiu o risco de ruptura na zona do euro. O governo chinês anunciou um pacote de estímulos de cerca de US$ 150 bilhões. "As medidas devem estimular a procura por ativos de risco", diz o economista-chefe da Citi Corretora, Fernando Siqueira. Com isso, parte do fluxo externo pode voltar para a bolsa brasileira, sobretudo para ações como Vale e Petrobras.
Ao que tudo indica, outubro será muito parecido com setembro. Além de começar após um fim de mês de realização de lucros nos principais ativos de risco, principalmente em bolsa, o economista lembra que há eventos importantes na agenda, como a reunião do BCE e a possibilidade de a Espanha pedir socorro à União Europeia, o que acionaria a compra de títulos por parte do banco central. A situação da economia espanhola ainda inspira cautela, mas, se o país optar pela ajuda, a notícia deve ser encarada como positiva, afirma Siqueira. Isso porque diminuiria o risco de um agravamento da crise europeia.
Para a equipe de análise da Bradesco Corretora, a atitude do BCE de "fazer o que for necessário para proteger o euro" e a terceira rodada de afrouxamento monetário nos Estados Unidos, juntos, representam a maior injeção de liquidez desde o fim de 2010. Entretanto, após algumas semanas, os efeitos parecem potencialmente menores. "Esses programas não são a solução para a economia global. No entanto, não somos ingênuos em não esperar impactos para o mercado. Parece que teremos mais alguns meses de calmaria", destacou, em relatório.
Para surfar a onda do fluxo que potencialmente pode vir para a bolsa brasileira, a Citi Corretora optou por incluir Petrobras entre as suas indicações para a Carteira Valor de outubro. No entanto, são os fundamentos da companhia que pesam mais. Como atrativos, Siqueira destaca o impacto positivo do aumento recente nos preços dos combustíveis que deve aparecer nos resultados daqui para frente, a possibilidade de novos reajustes, além da discussão sobre o aumento do percentual de álcool na gasolina, o que seria benéfico para a Petrobras ao reduzir a necessidade de importação.
Segundo ele, o governo deve usar o pacote do setor elétrico como um fator para controle da inflação, o que abriria espaço para a liberação de novos aumentos de preços de combustíveis. Os efeitos positivos da mudança de administração na companhia também começam a aparecer, como a redução de custos e despesas e um plano de negócios mais estruturado.
Para os analistas da Planner Corretora, os resultados, provavelmente, trarão embutidos o efeito positivo do câmbio e também o impacto do reajuste nos preços dos combustíveis realizados nos meses de junho e julho. Ainda que sutil, um sinal da possível melhora nos resultados da companhia é o fato de a divulgação dos resultados do terceiro trimestre ter sido marcada para o mês de outubro. Normalmente, a empresa cumpria o seu dever de informar os resultados mais perto do fim prazo de 45 dias. Dessa vez, marcou para 26 de outubro.
A Planner ressalta que o papel da Petrobras está bastante 'descontado' e merece a atenção do investidor. Segundo a corretora, o preço justo para a ação é de R$ 29 para o fim de 2013. O múltiplo P/L (relação entre o preço da ação e o lucro da companhia) da ação preferencial está em 9,9 vezes. A confirmação de um desempenho melhor da empresa no terceiro trimestre provocará um resultado complementar. Irá beneficiar o Ibovespa, dado o peso de Petrobras no índice, o que poderá levar a um maior otimismo dos investidores.
A aposta em Vale, destaca a Ativa Corretora, está fundamentada na estabilização do preço do minério de ferro no mercado à vista em um nível bastante rentável para a mineradora, além da possibilidade ainda palpável de novos estímulos chineses.
Outro atrativo da companhia, segundo a corretora, é a estratégia de concentrar seus investimentos em ativos estratégicos e operações com maior rentabilidade, gerando caixa para o pagamento de dividendos bastante atrativos - 5% estimados para este ano - neste momento de incerteza global. "Acreditamos que o atual nível de preço do papel - a Vale está sendo negociada a 1,2 vez seu valor patrimonial - reflete um cenário de deterioração do mercado maior do que avaliamos. Isso demonstra a atratividade da aposta tanto para o curto quanto para o longo prazo."
Outro papel que carrega um pouco mais de risco é Gerdau PN, que segue na carteira, com duas indicações. Na visão da Citi Corretora, a continuidade da recuperação econômica americana seguirá contribuindo para os resultados da empresa nos próximos trimestres, mas o maior ganho deve vir do mercado local. "A Gerdau se beneficia dos investimentos em infraestrutura que estão sendo feitos por conta da Copa e Olimpíada, e de um mercado imobiliário ainda aquecido", destaca Siqueira. Segundo ele, os lançamentos de imóveis diminuíram, mas há muito empreendimento em construção.
Com exceção de Petrobras, Vale e Gerdau, todas as demais apostas para a Carteira Valor tem um viés mais conservador. É o caso das ordinárias (ON, com voto) da BR Properties, que lideram as indicações ao lado de Vale, com três citações. Na avaliação da Ativa, a empresa proprietária de imóveis comerciais tem características defensivas como a previsibilidade de receitas, associada aos contratos longos de locação, ajustados pelo IGP-M, uma proteção para o cenário de maior inflação. Além disso, acrescenta a Citi Corretora, a BR Properties vem apresentando bons resultados em função da demanda elevada por imóveis comerciais. Aquisições recentes também favorecer os números da companhia nos próximos trimestres.
Ambev PN é a indicação mais conservadora para o portfólio. Com duas recomendações, é vista como uma ação que dá proteção ao investidor em caso de piora da cena externa, graças à forte geração de caixa e à distribuição regular de dividendos. Completam o portfólio: CCR ON, OHL Brasi l ON, Telefônica Brasil PN, Sabesp ON e Kroton Unit.

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