O investimento em bolsa e o planejamento financeiro



Os investidores exigem que governos e empresas apresentem orçamento equilibrado, não gastando mais do que arrecadam. Mas muitas famílias apresentam orçamento desequilibrado. Não há como se falar de investimentos em ações ou em qualquer outra aplicação financeira se as famílias não conseguirem gerar poupança. Veja algumas dicas de planejamento financeiro.
O momento de taxas de juros baixas indica que os investidores necessitarão correr mais riscos para aumentar a rentabilidade de suas aplicações financeiras. Nesse cenário, o mercado de renda variável aparece como uma excelente alternativa. Contudo, para isso é necessário que as famílias gerem um excedente para que possam investir.
Por isso, a “Expo Money”, feira de finanças pessoais, incorporou este ano temas de educação financeira como administração de carreira, empreendedorismo e planejamento financeiro em sua programação. Quando começou, há dez anos, o foco principal da feira era o investimento em ações.
O que os investidores valorizam em uma companhia? A forte geração de caixa. Se considerarmos que cada família pode ser comparada a uma empresa, esse também deve ser o objetivo dos indivíduos. O excedente de caixa pode advir do crescimento das receitas ou da contenção dos custos.
As pessoas parecem se preocupar apenas com o incremento do primeiro item, esquecendo-se que possuem poder de atuação também sobre os custos. Uma poupança mensal de R$ 200 parece insignificante. Mas tente anualizá-la. Isso ajuda a mostrar o poder da acumulação. E não estou nem falando de juros compostos. Com R$ 2.400 já é possível, por exemplo, comprar bens duráveis como uma máquina de lavar, uma TV ou um computador.
Vendo de outra forma, para gerar uma renda de R$ 200 por mês é necessário ter uma aplicação conservadora em torno de R$ 30 mil. Por essa abordagem, vê-se que esses R$ 200 poupados mensalmente não são desprezíveis.
Outro ponto a se destacar é que muitas vezes as decisões ficam voltadas apenas para os produtos financeiros, como, por exemplo, a escolha de um fundo de investimento com menor taxa de administração. Embora essa preocupação seja pertinente, a redução das despesas correntes apresenta geralmente um impacto sobre o orçamento pessoal muito maior do que o ganho gerado com a seleção de uma aplicação financeira de custo menor.
Alguns podem alegar: mas para que poupar se os juros estão tão baixos e a bolsa brasileira vem apresentando um desempenho tão pífio nos últimos anos? Ledo engano. O principal índice do mercado acionário, o Ibovespa, realmente vem tendo um mau desempenho. Mas, como bem lembrado por Alexandre Bettamio, presidente do Bank of America Merril Lynch no Brasil, 67 ações de empresas com valor de mercado acima de R$ 500 milhões tiveram desempenho acima de 20% em 2012 (até 06/09). Logo não dá para dizer que toda a bolsa está indo mal.
Assim, quem possuía alguma reserva financeira foi capaz de, por intermédio de uma boa seleção de ativos, aumentar ainda mais seu patrimônio.
Manter as contas equilibradas é vital. Seus desejos devem caber dentro do seu orçamento, e não o contrário. Infelizmente a vida não é como a gente quer, mas como ela se apresenta.

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