O importante é fugir da inércia


A decisão de embolsar os lucros decorrentes da valorização das aplicações em títulos públicos federais negociados no Tesouro Direto é tentadora. Afinal, dinheiro não aceita desaforos.

A NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, comprada no começo de agosto de 2011 pelo preço de cerca de R$ 500 pode ser vendida hoje por quase R$ 900. É um ganho de 80% no período, maior do que qualquer aplicação de risco semelhante. O problema é encontrar novo ativo para reaplicar os recursos. Reportagem de Flavia Lima e Alessandra Bellotto, do Valor, trouxe a opinião de diversos especialistas sobre o tema, a maioria sugerindo manter os investimentos.
Para quem comprou o papel sem objetivo definido, a oportunidade de vender o título de longo prazo com lucros extraordinários deve ser seriamente avaliada. Se a motivação para o investimento foi o temor com a inflação no curto prazo, sem a intenção de manter o papel até o vencimento, em 2035, a decisão mais prudente é vender os títulos, mesmo pagando IR maior. Os recursos podem ser reinvestidos em títulos mais conservadores ou de prazo mais curto.
Mas o investidor pode, também, ser mais agressivo e querer modificar o perfil de risco da carteira. Por exemplo, tendo em vista que os papéis prefixados de longo prazo pagam, atualmente, juros maiores do que os de prazo mais curto, o alongamento dos vencimentos pode proporcionar ganhos expressivos. A forma de tributação das aplicações no Brasil pune as estratégias que visam adequar a composição da carteira ao risco que o investidor pretende correr. Mas não é razão para manter a inércia.

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