Indexar para diversificar no mundo da renda fixa



Definir uma filosofia de investimentos é um importante passo para ter sucesso com as aplicações financeiras, porque ajuda a manter o foco nos objetivos traçados e também a disciplina para preservar a carteira suficientemente diversificada.
Uma estratégia relativamente simples de ser executada, utilizada por diversos investidores, é montar uma carteira buscando replicar um determinado índice financeiro. Esses indicadores procuram medir o desempenho agregado dos ativos mais relevantes.
Para o mercado de renda fixa brasileiro, o principal parâmetro de referência utilizado ainda é a taxa de variação dos depósitos interfinanceiros, o CDI. Herança do período de inflação elevada, o indicador, no entanto, vem perdendo a representatividade.
De acordo com dados da Cetip, empresa responsável pela custódia e liquidação financeira de títulos privados, o ano de 1998 registrou a média de 247 negócios diários no mercado interbancário. Atualmente, são menos de 20 transações por dia.
A credibilidade do CDI como parâmetro de referência para o mercado de renda fixa está associada ao fato de a variação diária ser muito próxima à da taxa Selic, o principal instrumento de política monetária do Banco Central (BC). Como historicamente a diferença entre o CDI e a Selic é pequena, é comum os investidores considerarem que as taxas são idênticas.
Montar uma carteira com o objetivo de acompanhar o CDI é relativamente simples. Boa parte dos títulos privados, tais como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), debêntures e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) têm remuneração vinculada ao indexador.
Muitos fundos de investimento oferecidos no varejo também adotam o CDI como parâmetro de referência e, no Tesouro Direto, a opção é a Letra Financeira do Tesouro (LFT). Mesmo sendo atrelada à taxa Selic, a rentabilidade do título fica próxima ao indicador.
No entanto, ao indexar a carteira de renda fixa ao CDI, o investidor não está conseguindo o lucro máximo possível. Isso porque os papéis prefixados e vinculados à taxa de inflação, que registraram ótimos desempenhos nos últimos meses, ficam de fora da aplicação.
De acordo com cálculos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), a rentabilidade média acumulada no ano até agosto de uma carteira de títulos públicos prefixados foi de 10,32%. Já os ganhos com papéis federais corrigidos pela inflação foram ainda maiores, de 17,73%. Uma carteira diversificada de renda fixa, incluindo uma cesta de títulos públicos disponíveis no mercado na proporção de aproximadamente 40% para os papéis prefixados, 36% para os corrigidos pela inflação e 24% para as LFTs, teve lucro até agosto de 11,49%. O ganho foi substancialmente acima do CDI, que rendeu 6,02% no período, e com baixo risco.
O resultado foi conseguido por uma carteira que replica o Índice de Mercado Aberto da Anbima Geral ex-C (IMA-Geral ex-C). É um indicador que considera todos os títulos públicos negociados no mercado, excluindo a NTN-C, papel que deixou de ser emitido.
Montar a carteira de acordo com os parâmetros estabelecidos para o índice IMA-Geral ex-C é uma filosofia de investimento que privilegia a praticidade. A participação percentual de cada título é definida de acordo com as quantidades em mercado. É o equivalente da renda fixa para o Ibovespa, o principal índice de referência para as ações negociadas na bolsa paulista.
Uma estratégia diferente é diversificar a carteira de acordo com o volume do estoque de aplicações no Tesouro Direto. Os dados são divulgados periodicamente e o último balanço, do mês de agosto, mostra que o montante financeiro dos investimentos era de 9% nas LFTs, 31% nos títulos prefixados e 60% nos papéis corrigidos pela inflação.
A lógica de seguir essa ponderação para a carteira é acompanhar o que a maioria dos demais aplicadores julga ser a melhor composição para os investimentos. É o conforto de estar aplicando de acordo com a média dos demais participantes do mercado. Em contrapartida, não é, necessariamente, a opção mais eficiente.
Uma terceira possibilidade é investir de acordo com a composição média das carteiras dos fundos de investimento, administrados por gestores profissionais. Os dados consolidados são divulgados pelo BC.
Para as entidades de previdência, de acordo com o relatório de agosto, 65% da carteira era formada por papéis corrigidos pela inflação, 23% dos recursos estavam aplicados em títulos prefixados e 12%, em LFTs. Nos fundos destinados às pessoas físicas, os títulos corrigidos pela inflação representavam 19% do total, os prefixados eram 13% e as LFTs, 68%.
Assim como na renda variável, manter a carteira de renda fixa diversificada é uma boa estratégia para tentar aumentar os ganhos, controlando os riscos.

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