Incerteza, fator que compromete crescimento


No Panorama Econômico Global, divulgado ontem pelo FMI, chama a atenção o aumento do espaço das incertezas como elemento de determinação do nível da atividade econômica global. Apenas para se ter ideia de que tipo fator é esse, basta ver a dimensão do problema fiscal que está colocado para o governo americano, o “fiscal cliff” – um conjunto de incentivos que termina no fim do ano, que corresponde a cerca de 4% do PIB e para o qual o governo terá que negociar uma saída com o Congresso. É impensável imaginar que eles serão apenas extintos, produzindo um ajuste fiscal do tamanho previsto. Mas também não é prudente achar que esta será uma equação de solução simples.

No caso brasileiro, as incertezas também são imensas e podem estar afetando a decisão de investimentos para 2013. Além do baixo crescimento global que se reflete em baixo crescimento da economia local, há os temores construídos pelo próprio governo nas suas recorrentes ações de intervenção.  Caso curioso e emblemático nesse sentido foi o de uma empresa de tintas para automóveis, que agradeceu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo rebaixamento do IPI incidente sobre seu setor. Pouco tempo depois, a empresa foi punida com o aumento da tarifa de importação.
Outra medida recente que tinha tudo para ser apenas celebrada mas acabou gerando mais temores, foi a do setor elétrico. Ao mesmo tempo que reduziu as tarifas de energia o governo lançou uma série de dúvidas sobre os agentes do setor, ao não esclarecer sobre quanto o setor público vai desembolsar para quitar a fatura de empreendimentos que ainda não foram amortizados. As ações das empresas como Cemig e Cesp caíram cerca de 20 %, a ponto de fazer com que a Cesp desista da venda de seus ativos. Ao perder valor de mercado, as companhias acabam perdendo, também, a capacidade de alavancar investimentos.
Os bancos são parte de outro capítulo dessa mesma história da ação do Estado.  Ao impor aos bancos públicos – Banco do Brasil e Caixa – uma postura agressiva de corte dos juros e das tarifas bancárias, o governo quer que essas instituições liderem os demais bancos, privados, nesse processo. O Tesouro Nacional, como acionista majoritário, pode e está capitalizando BB e Caixa com recursos do contribuinte. Os bancos privados não têm esse mesmo recurso e não será surpresa se tiverem que cortar fortemente seus custos, gerando algum desemprego.
O governo da presidente Dilma está preocupado com a baixa taxa de investimento do país e ciente de que o que poderá puxar o crescimento, em 2013, é a retomada dos investimentos. Mas talvez não esteja atento aos ruídos que ele próprio está criando.

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