Foco no “BB” da gasolina


Uma ação contínua do governo para manter os preços na linha, especialmente quando são formados em setores oligopolizados, é fator de inquietação permanente no mercado financeiro porque é inegável que, sobretudo o Ministério da Fazenda, tem tido sucesso na pressão exercida contra os bancos privados. Os juros vêm caindo em todos os segmentos do crédito e os spreads também. E esse resultado é decorrente, em grande medida, pela vantagem que o governo tem em relação às instituições financeiras privadas, uma vez que pode mobilizar o maior banco do país (o BB, que é negociado em bolsa) com relativa cautela, e mais agressivamente a Caixa Econômica Federal – companhia com capital fechado e que pertence à União. 

Nesse ambiente desconfiado, a Ultrapar e a Cosan lideraram ontem as perdas do Ibovespa no pregão da bolsa brasileira frente à suposta possibilidade de o governo usar a distribuidora BR para reduzir os preços dos combustíveis, recorrendo à mesma receita aplicada com uso dos bancos públicos para garantir o corte dos juros. A Ultrapar ON desvalorizou 7,17% e a Cosan ON, 4,5%.
A informação sobre uma eventual ação oficial foi publicada pelo colunista Guilherme Barros, do site da revista “IstoÉ Dinheiro”. E a ideia que estaria em estudo no governo é a BR dar um desconto na venda de combustíveis aos postos com a sua bandeira, o que forçaria outras distribuidoras a fazer o mesmo para manter fatias de mercado.
Há exatos dois meses, o blog Casa das Caldeiras informou que já estavam em discussão no governo alternativas para reduzir o custo Brasil e aumentar a competitividade da indústria. E uma delas era exatamente acirrar a concorrência no segmento de combustíveis. Técnicos do governo constataram a necessidade de se fazer um mapeamento detalhado da estrutura de preços no setor, sobrecarregada, segundo fontes, por elevada tributação. As distribuidoras estavam em foco, informou fonte oficial em agosto, dada a observação de distorções de preços e o fato de uma única empresa controlar cerca de 40% das operações.
A BR Distribuidora ou Petrobras Distribuidora é uma subsidiária da Petrobras. Com mais de 7 mil postos de combustíveis tem a maior rede de postos em todo o país. A BR já foi negociada em Bolsa, mas hoje é uma empresa de capital fechado – uma espécie de “Banco do Brasil da gasolina”. E o mercado financeiro não desconhece os efeitos da ação do BB como indutor da redução do crédito – e possivelmente do processo de corte das tarifas bancárias por serviços prestados aos clientes – na formação de preços das instituições privadas.
O mercado não ignora o salto de popularidade da presidente em função da cruzada contra os juros altos. Pesquisa CNI/Ibope mostrou que, em setembro, a redução das tarifas de energia elétrica fez sucesso entre os brasileiros e impactou o recorde de aprovação do governo. Na anterior, foram os juros menores.
Em tempo: O brasileiro apoia quem cuida do seu bolso.

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