Conhecer o mercado para lucrar mais


Valor on line


Um dos maiores desafios para qualquer investidor, a despeito do tamanho do patrimônio, é entender os fatores que podem influenciar o preço dos ativos financeiros que possui em carteira. E tomar as decisões para aumentar os ganhos ou evitar prejuízos.

A oscilação das cotações pode ser grande, mesmo no curto prazo. Nos últimos 12 meses, por exemplo, a diferença média diária entre a maior e a menor cotação de cada uma das ações que fazem parte do Ibovespa, o principal índice de referência da bolsa paulista, foi de 3,5%. Significa que um mesmo papel poderia ser comprado e vendido, em momentos diferentes do dia, gerando ganhos ou prejuízos expressivos.
Na maioria das vezes, as variações diárias no preço das ações não podem ser atribuídas a mudanças nos fundamentos da companhia, relacionadas com as estimativas para o desempenho das vendas ou dos lucros. O valor considerado justo para as atividades de uma empresa tende a ser relativamente estável, assim como as perspectivas para o desempenho da economia.
Fatores relacionados com a própria dinâmica do mercado explicam as variações das cotações no curto prazo. O aumento da aversão ao risco devido a notícias sobre a dificuldade de encontrar uma solução para a crise na Europa pode desencadear o aumento na quantidade das ordens de venda, por exemplo.
Ou, então, a entrada de um grande fundo estrangeiro querendo aumentar suas posições em ações brasileiras pode justificar movimentos abruptos de alta dos preços.
Para muitos investidores em bolsa, é mais importante ficar atento às mudanças imediatas da cotação dos ativos do que buscar compreender em detalhes a estratégia de negócios de cada empresa. O desempenho praticamente estável do Ibovespa neste ano fortalece os argumentos a favor do uso dessa abordagem.
O desenvolvimento tecnológico democratizou e facilitou o acompanhamento diário do mercado. Hoje em dia, as cotações são divulgadas eletronicamente e podem alimentar os mais variados sistemas de monitoramento dessas cotações.
Curiosamente, todo esse avanço começou com uma crise no mercado. Há 25 anos, numa segunda-feira de outubro de 1987, o mercado acionário americano caiu mais de 20%. Foi a maior queda diária da história. Apavorados e sem saber o que estava acontecendo, muitos investidores ligavam para os corretores para vender as ações que possuíam.
Os corretores, por sua vez, também sem saber o que estava acontecendo, simplesmente não atendiam as ligações dos clientes. Desta forma, evitavam o risco de serem obrigados a comprar papéis sem a certeza de poder vender pouco depois, sem sofrer pesados prejuízos.
A prática provocou uma investigação da SEC, o órgão regulador do mercado americano, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. O resultado foi a determinação para que, daquele momento em diante, fosse reservado um lote mínimo de ações que, obrigatoriamente, deveria ser negociado eletronicamente. Os corretores não teriam mais desculpas para não atender as solicitações dos clientes.
Investidores mais atentos correram para aproveitar as novas oportunidades que surgiram. Como a atualização dos preços de compra e venda era feita manualmente, diversas possibilidades de lucros apareceram. Imagine uma situação em que houvesse uma reviravolta do mercado, provocando a alta de algumas ações de setores específicos.
Por causa das turbulências nos negócios, alguns corretores podiam ser mais lentos do que outros para atualizar as cotações nos livros eletrônicos. Isso abria a possibilidade real de ganhos sem risco para os mais atentos. Bastava comprar a ação pelo menor preço, ainda desatualizado, e vender pelo maior preço, que refletia a nova situação do mercado.
Com o tempo, escaldados pelos prejuízos, a atenção dos corretores com as cotações eletrônicas foi redobrada. Como consequência, as oportunidades de ganhos para os investidores profissionais com as arbitragens ficaram mais raras. Para continuar lucrando com as pequenas distorções de preço, passou a ser fundamental acompanhar mais ações simultaneamente. A solução foi desenvolver sistemas computadorizados para monitorar o mercado.
A corrida tecnológica continuou e terminou desencadeando a automação das negociações, com a necessidade de adotar estratégias de execução dos negócios cada vez mais complexas. Os grandes investidores profissionais passaram a contar com equipes dedicadas ao desenvolvimento de complexos algoritmos. O objetivo é tentar identificar, no menor tempo possível, as tendências do mercado. E evitar que as estratégias de negociação sejam detectadas pelos demais participantes.
Apesar de tentador, entrar nesse novo ambiente de negociação para explorar os lucros decorrentes da variação dos preços dos papéis no curto prazo, sem depender dos aspectos fundamentais, relacionados com o valor dos ativos no longo prazo, envolve riscos elevados para o investidor comum.
Por mais que os sistemas eletrônicos de negociação tenham evoluído e diversas ferramentas estejam acessíveis para qualquer interessado, a complexidade do mercado aumentou. Cada vez mais, lucro de curto prazo é privilégio restrito para poucos operadores profissionais.

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