A inflação e os juros segundo o BC



Em 2012, apesar do menor crescimento da economia brasileira, a dívida líquida do setor público cairá para 35% do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil irá incorporar mais US$ 22 bilhões às reservas internacionais por conta das transações com o exterior – mesmo considerando a redução do comércio com a Argentina e a Europa – e a taxa de juros de equilíbrio do país deverá atingir o menor percentual da história.
Além disso, o recente choque no preço dos produtos agrícolas deverá ter pouca intensidade e será de curta duração. Como consequência, a inflação continuará abaixo do teto da meta nos próximos dois anos, cravando 5,2% em 2012 e 4,8% em 2013.
Essas são as estimativas que estão norteando a atuação do Banco Central (BC), conforme divulgado no último Relatório de Inflação. O documento é preparado trimestralmente pelos técnicos da autoridade monetária, com o objetivo de estabelecer os cenários para a evolução da economia brasileira e definir a margem de manobra da política monetária.
Para o investidor, as projeções otimistas do BC podem ter impacto significativo. Se as previsões forem confirmadas, será mais rentável aplicar em títulos prefixados – tais como as Letras do Tesouro Nacional (LTN) – do que em papéis vinculados à inflação, como as Notas do Tesouro Nacional da série B Principal (NTN-B Principal).
No Tesouro Direto, o sistema de negociação de títulos públicos administrado pelo Tesouro Nacional, a diferença entre as taxas de juros da LTN e da NTN-B Principal, ambas com vencimento em 2015, é de aproximadamente 5,5% ao ano. Os preços de mercado dos papéis sinalizam, portanto, inflação meio ponto percentual acima das projeções do BC.
A implicação, de ordem prática, é que atualmente o investidor paga relativamente mais caro pela NTN-B Principal do que pela LTN. Como consolo, a diferença de meio ponto percentual pode ser interpretada como sendo o custo de proteção contra o aumento inesperado da inflação. No entanto, quanto mais próximas da realidade estiverem as estimativas do BC, menor será esse custo ao longo do tempo.
A diferença entre a taxa de mercado do título prefixado e o juro do papel corrigido pela inflação é conhecida, no jargão de mercado, como sendo a “inflação implícita”. A premissa é que, no vencimento, o ganho total da LTN será igual ao da NTN-B Principal. Dessa forma, a variável de ajuste é a taxa de inflação, que corrige o papel indexado aos índices de preços.
Até o momento, o mercado ainda não está totalmente confiante nas projeções de inflação divulgadas pelo BC, apesar de todo o embasamento teórico dos diversos modelos estatísticos e econômicos para as previsões descrito no Relatório de Inflação. No entanto, o investidor deve ficar atento. Assim como o BC tende a ser otimista, o mercado tem a tradição de mudar rapidamente de opinião.

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