Palmada nele!



O Ministério da Fazenda trilha um caminho perigoso ao impor ao Banco do Brasil a redução de tarifas por prestação de serviços por acreditar que dessa forma induzirá os bancos privados a fazer o mesmo. Pode ser. Isso aconteceu diversas vezes, de abril para cá, quando o BB e a Caixa Econômica Federal cortaram taxas de juros no crédito para famílias e empresas. Mas nesse processo de declínio dos juros, em aparente esgotamento em função da perspectiva de fim de ciclo de queda da taxa Selic, a Caixa foi a instituição que mais tempo ficou na vitrine do governo. E por um bom motivo: tem um único dono, o Tesouro Nacional. O BB parecia poupado de maiores exposições orientadas diretamente pela Fazenda por ser uma empresa de capital misto, cotada em bolsa. O Tesouro é o seu controlador, mas o maior banco do país tem acionistas. Aqui e lá fora. A União detém 59,1% do capital do BB; a Previ, 10,4%; o BNDESPar, 0,2%. Do total de ações que estão em mercado para livre negociação, 17,5% estão nas mãos de estrangeiros.
Cristiano Romero relata no Valor desta sexta-feira que o BB anuncia hoje a redução de um grupo de sete tarifas cujos valores foram reajustados no início do ano. O corte atende a uma decisão do Ministério da Fazenda, que pretende forçar os bancos privados, a partir do exemplo do BB, a também diminuir suas tarifas. A medida dá início a uma nova cruzada do governo para forçar a redução dos custos financeiros.
Em reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dirigentes do BB alegaram que não corrigiam suas tarifas desde 2008. O banco explicou que os reajustes, em alguns casos, não chegaram a repor a inflação do período. Mantega argumentou, por sua vez, que este não é o melhor momento para elevar tarifas. "O esforço agora é para reduzir juros para o investidor e o consumidor", disse ao Valor um integrante da equipe econômica. "Não cabe aumento de tarifas".
O governo desconfia que os bancos aumentaram suas tarifas depois que foram obrigados a reduzir os spreads bancários. Mesmo reconhecendo que o BB não fez isso - as tarifas foram aumentadas em janeiro, antes do início da queda dos spreads -, o Ministério da Fazenda acredita que o movimento do BB obrigará os bancos privados a seguir o mesmo caminho, uma vez que o banco estatal passará a oferecer vantagens, em termos de custos, para seus clientes.
O Ministério da Fazenda está preparando um levantamento sobre o comportamento das tarifas nos outros bancos. O plano é obrigar as instituições a dar maior visibilidade aos valores nas agências bancárias, informando os clientes sobre os reajustes.

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