Cautela no alongamento dos prazos


Aplicações financeiras de curto prazo sempre estiveram associadas a incertezas e instabilidade econômica. Por essa razão, o Tesouro Nacional vem incentivando o alongamento dos prazos dos títulos públicos e a redução do estoque de LFTs, título corrigido diariamente pela taxa Selic.

Em períodos de otimismo, a estratégia do Tesouro dá resultados rápidos. Quando existe a perspectiva de queda das taxas de juros, os investidores correm para garantir a maior remuneração momentânea dos títulos de renda fixa pelo maior prazo possível. Foi o que começou a acontecer a partir de agosto de 2011.
Nos últimos 12 meses, quando a Selic caiu de 12,5% ao ano para o atual patamar de 7,5% ao ano, o prazo médio da dívida pública subiu 9%, passando de 3,7 anos para pouco mais de quatro anos. Já a participação de LFTs no total da dívida pública em poder do público recuou 24% no mesmo período, passando de uma fatia de 32% do total para 24%.
Quando o ambiente é favorável, as tendências são reforçadas. Quanto mais o Tesouro testa o mercado, oferecendo títulos prefixados com prazo de vencimento mais longo e com taxas menores, mais atrativos ficam os papéis. Mas, eventualmente, a situação atinge o limite e o volume de aplicações de curto prazo volta a subir.
A linha vermelha do gráfico abaixo, em queda constante desde agosto do ano passado, mostra o saldo líquido acumulado das emissões de LFTs. Até agosto de 2012, houve uma redução de R$ 160 bilhões no estoque de títulos com taxa flutuante, coerente com a estratégia adotada pelo Tesouro Nacional.
No entanto, o estoque de operações de curto prazo no mercado aberto subiu a partir de 2012 e acumula crescimento de R$ 138 bilhões desde agosto de 2011. Aparentemente, parte dos recursos de curto prazo que estavam aplicados em LFTs passou a encontrar abrigo nas operações compromissadas.
A cautela recente é justificável. No Tesouro Direto, o investidor que comprou a LTN prefixada com vencimento em 2016 no dia primeiro de fevereiro deste ano acumulou, até o dia 26 de setembro, ganhos 7% acima daquele que decidiu investir na LFT com vencimento em 2017. No entanto, quem fez a aplicação na LTN em primeiro de agosto, conseguiu apenas empatar com a LFT, chegando a perder quase 1% em relação à aplicação com taxa flutuante.
Os números das movimentações das aplicações financeiras divulgados pelo Tesouro sinalizam que, quando há muitas contradições no mercado, é prudente manter parte dos investimentos no curto prazo.

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