Acima da meta, mas ainda abaixo do teto


Apesar de as projeções indicarem que a inflação ficará acima da meta de 4,5% neste e no próximo ano, existe a chance de o Banco Central (BC) não elevar as taxas de juros, caso o IPCA não ameace ultrapassar o limite de 6,5%.

A margem de manobra do BC para manter os juros estáveis não é muito grande. No entanto, considerando que a preocupação dos brasileiros com a inflação é incomparavelmente menor do que, por exemplo, aquela manifestada pelos alemães, é possível que o objetivo seja atingido.
Segundo recente enquete do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung – o mais sério de um país muito sério, conforme descreve Matías M. Molina no livro “Os melhores jornais do mundo” –, 63% dos alemães declararam estar preocupados com a inflação. É a maior aflição da população, batendo, por exemplo, o medo de catástrofes naturais, com 52%, doença (46%), terrorismo (39%) ou filhos envolvidos com drogas (34%).
A inflação projetada para 2012 na Alemanha é de 2%. No Brasil, segundo o último relatório Focus, é de 5,35% para 2012 e de 5,5% para 2013.
A lógica para a definição da taxa Selic adotada atualmente pelo BC mudou em relação ao que era praticado durante as administrações anteriores. No passado, a regra estipulada para estabelecer os juros era praticamente fixa. Toda vez que a inflação aumentava, a taxa Selic subia. E quando o ritmo da alta dos preços recuava, os juros eram reduzidos.
A crise internacional obrigou a atual diretoria do BC a modificar o método rígido que era adotado até então. Como consequência, a diferença entre os juros e a inflação diminuiu. O gráfico abaixo mostra a evolução das diferenças entre a projeção de mercado para a taxa Selic e a inflação estimada para o ano de 2013. É uma medida para contabilizar o chamado juro real.
No começo de 2012, a expectativa para o juro real em 2013 era de 5,25%. No início de fevereiro, devido às previsões de que o BC poderia aumentar os juros para trazer a inflação de volta para o centro da meta, a taxa real subiu para 6%.
A partir de meados de março começou a ser formado um novo consenso. Apesar de a inflação continuar acima da meta, a política do BC seria a de não elevar os juros. A taxa real caiu, então, para 4,5% e continuou recuando até atingir 2,75%. Na mais recente estimativa, as previsões são de juros nominais de 8,25% ao ano e inflação em 5,5%.
Para o investidor, é importante administrar pragmaticamente os riscos de ter a poupança remunerada com juros reais praticamente nulos, depois de descontados todos os custos do investimento. E tomar medidas para conviver com essa nova situação.

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