Indústria volta a liderar a atração de capital externo



Com perda de produtividade e desempenho medíocre nos últimos dois anos, a indústria brasileira ainda assim reconquistou a preferência dos investidores estrangeiros, que andava recaindo sobre o setor de serviços. No primeiro semestre, o ingresso de investimentos estrangeiros diretos para aquisições de participação no capital de empresas industriais foi de US$ 12,9 bilhões, com aumento de 33%.
O capital estrangeiro na indústria está seguindo a trilha do consumo doméstico, que continua forte e com crescimento superior ao da demanda dos países desenvolvidos da Europa e Estados Unidos. Depois da metalurgia, são os setores alimentício e farmacêutico que receberam mais aportes externos ou foram alvos diretos de fusões e aquisições. Esse mercado de compras esteve bastante aquecido no período e o movimento foi puxado pelos investidores externos, que participaram de mais da metade (225) das 433 operações registradas pela consultoria KPMG.
O mercado interno é um dos grandes atrativos. Ao adquirir a brasileira Yoki por R$ 1,75 bilhão em maio, a multinacional americana General Mills apontou que o Brasil é "uma das economias que crescem mais rápido ao redor do mundo", onde "o consumo doméstico se tornou um importante motor de crescimento".
Os segmentos mais expostos à concorrência dos importados e com crescentes custos de produção, como produtos químicos e derivados de petróleo, já não atraem tanto o capital estrangeiro. No primeiro semestre de 2010, quando a indústria de transformação se recuperava fortemente, 70% do investimento produtivo foi para esses setores. No mesmo período deste ano, a fatia se reduziu a 8%.
Para André Biancareli, professor da Unicamp, o investidor estrangeiro está menos pessimista com o mercado doméstico nacional do que o empresário brasileiro, e por isso investe em setores que podem se beneficiar da maior demanda. "Montar uma fábrica ou adquirir participações em empresas nacionais são decisões que dependem de um cenário de médio e longo prazo, e nesse caso a perspectiva é de crescimento ainda razoável do mercado interno". Essa avaliação se apoia na expectativa de aumento da renda e manutenção do baixo nível de desemprego.

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