De volta ao começo?


Pode morder a língua quem deu por certo o esgotamento do modelo de crescimento econômico no Brasil baseado na dobradinha crédito e consumo e a sua substituição pura e simples pela alavancagem de investimentos, com o governo atuando como protagonista e puxando o setor privado. Talvez seja um exagero afirmar que o governo abraçou escandalosamente o crédito nos últimos dias. Mas que a relação entre os dois mudou, mudou. Não há dúvida. E essa reaproximação foi revelada pelo encontro do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central com os maiores bancos brasileiros, por declarações feitas pelos diretores de  Política Monetária e Política Econômica do BC e pela divulgação do balanço trimestral da Caixa.

O ministro Guido Mantega e o presidente do BC, Alexandre Tombini, indicaram aos banqueiros que eles podem fazer mais. Leia-se: baixar  mais as taxas de juros e emprestar mais recursos também para investimentos. A Caixa e o gigante Banco do Brasil, que divulga o seu resultado trimestral amanhã, não escaparam da recomendação ou apelo do governo.
O diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, avaliou durante um evento em São Paulo que os bancos têm condições de emprestar mais para a realização de investimentos no país – sobretudo em infraestrutura. De quebra, sinalizou que juro menor é recomendável. Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica da instituição, reconheceu em seminário, também em São Paulo, ser natural certa redução no ritmo de expansão do crédito, que cresceu à taxa de 20% nos últimos anos e vem desacelerando para 15% ao ano. Araújo ressaltou ser “possível e desejável”o aumento das operações porque há espaço para avançar de forma segura. E acrescentou que a inadimplência já aponta recuo.

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