Sem presidente, TIM vive fase conturbada



Logo após assumir a presidência da TIM Brasil, em março de 2009, Luca Luciani anunciou que o cliente da TIM que telefonasse para outro usuário TIM, não iria mais pagar mais por minuto de uso e, sim, por chamada feita.
A vantagem foi um atrativo para os milhões de brasileiros que têm familiares distantes aderirem ao serviço celular da TIM. O segundo passo de Luciani foi o lançamento de planos incentivando o uso de serviços de banda larga, tudo alimentado pelas frequentes campanhas publicitárias na mídia.
Pagar menos e falar mais é tudo que o usuário deseja, mas o momento que a TIM Brasil vive gera natural apreensão devido à polêmica pouco explicada em torno do afastamento, em maio, de Luciani da presidência da companhia. Isso ocorreu após a imprensa internacional divulgar que ele estava sendo acusado de irregularidades em serviços na TIM na Itália, em 2008, quando era um dos principais executivos da empresa. Circularam informações de que teria sido inflado o número de clientes e Luciani estava sendo acusado obstruir a ação de autoridades regulatórias.
Em visita ao Brasil, em maio, logo depois de anunciado o desligamento de Luciani do comando a subsidiária brasileira, o presidente mundial da Telecom Italia, Franco Bernabè, disse ao Valor que a questão envolvia identificação de cartões de chips, os SIM Cards. E que com a repercussão mundial da crise, o grupo havia decidido afastar o executivo. Bernabè então resumiu: "O juiz concluiu a investigação e tirou suas conclusões. Falta decidir se o caso irá para o tribunal. Para nós, o assunto está encerrado. Luca vai se defender."
Com uma trajetória de dez anos no grupo, Luciani entrou na empresa de telecomunicações como chefe de controladoria, em 2002, passando a diretor financeiro. Transferiu-se para a área de vendas e marketing da TIM até tornar-se um dos principais executivos da empresa em seu país. Luciani foi substituído, no Brasil, pelo também italiano Andrea Magoni, que desde maio está como presidente interino. Atualmente o mais cotado para ocupar a função é o também italiano Antonio Ruggero, da Intelig e TIM Brasil. Mas há quem aposte em uma solução com a escolha de um brasileiro para dividir o comando da companhia.
A gestão de Luciani promoveu profundas mudanças na companhia. Ao assumir, ele não poupou críticas à administração de seu antecessor, o brasileiro Mario Cezar de Araújo. Foi agressivo e eficiente no lançamento de novos serviços. Poucos meses depois de assumir a TIM Brasil, Luciani criou vários novos planos de serviços, anunciou estratégias e partiu para o que denominou de "refundação da empresa".
Ele reduziu e trocou diretorias, mudou todos os altos executivos, demitiu mais de mil pessoas, redefiniu o modelo de negócios e renegociou com fornecedores - na época informou que conseguiu reduções de até 50% nos custos.
Com a estratégia montada por Luciani, de acabar com a cobrança das ligações interurbanas por minuto falado, a TIM passou a ser líder nas ligações de longa distância entre os serviços de telefonia celular. A operadora destacou-se na conquista de clientes de serviço pré-pago e há dois meses ultrapassou a líder Vivo na capital de São Paulo. Em dois anos e meio, a participação no mercado do total de celulares da TIM subiu de 23,6% para 26,9%, enquanto o da Vivo se manteve estável na faixa de 29%. Nesse período, a diferença entre as duas operadoras caiu de 10,6 milhões de celulares em 2009 para 7 milhões em maio de 2012.
A avaliação de especialistas é que a estratégia de ganho de mercado com as ofertas ilimitadas foi o grande problema da operadora. "Na ânsia de ganhar participação ela acabou sacrificando a qualidade do serviço", disse um executivo do setor que não quis ter seu nome revelado. Segundo ele, o acesso ilimitado gera uma sobrecarga muito grande da rede de uma operadora móvel. Com a demanda cada vez mais intensa, planejar a expansão da infraestrutura torna-se uma tarefa complicada já que fica difícil traçar padrões de uso.
Nesse cenário, a tendência é que a operadora passe a "correr atrás do próprio rabo" e que a qualidade do serviço caia. Por conta disso - e para terem mais receita à medida que o uso de minutos e dados na telefonia móvel cresce - operadoras de todo o mundo têm abandonado as ofertas ilimitadas.
O consultor Eduardo Tude, da consultoria Teleco, lembrou que a TIM atrasou os investimentos na terceira geração exatamente para melhorar a rede. Na avaliação dele, muitos clientes preferiram beneficiar-se do fim da minutagem no pagamento dos interurbanos por meio do celular, e desembolsar menos reais, mesmo com o ônus embutido de conviver com um serviço com falhas.
"O problema de funcionamento e queda de chamada já existe há muito tempo. Não se pode dizer se a TIM está pior que a Claro e Oi, embora tenha sido a mais penalizada. Uma parte é congestionamento e outra é devido a problemas técnicos" avaliou Tude. (Colaborou Gustavo Brigatto)

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