Queda de juros põe fundos de pensão em 'encruzilhada'



A queda das taxas de juros agitou o mundo dos fundos de pensão. Neste momento, eles tentam reduzir as metas de retorno real que se comprometeram a entregar para pagar os benefícios futuros, a chamada meta atuarial. A maioria trabalha com rentabilidade real de 6% ao ano. Para alterar isso, é preciso vencer a queda de braço com os beneficiários dos fundos, que resistem à mudança, porque ela implica uma escolha difícil: diminuir o valor de seus benefícios futuros ou aumentar suas contribuições atuais.
A regulamentação do setor determina que a meta atuarial e os planos de investimentos são definidos pelos conselhos deliberativos, nos quais os participantes têm assento. "Não podemos colocar em risco a capacidade de pagar os benefícios. Se não baixarmos as metas, teremos que aumentar o nível de risco dos investimentos para ter uma rentabilidade maior para bater a meta", diz Euzébio Bomfim, diretor de previdência da Fundação Cesp. "É uma encruzilhada."

Além de tentar reduzir as metas, os fundos de pensão ouvidos pelo Valor informam que estão diversificando investimentos para aumentar a rentabilidade de suas aplicações. Antes muito concentradas em renda fixa, principalmente em títulos públicos, as aplicações estão se voltando agora para fundos de investimento em participações (FIPs), fundos imobiliários e crédito corporativo.Cerca de 40% das fundações já conseguiram fixar metas abaixo do teto de 6% definido pelo regulador. A mudança começou pelas fundações que acumulavam superávits graças aos anos em que as taxas de juros eram altas e a rentabilidade dos planos superava a meta. O aporte do dinheiro "extra" nos planos compensou a perda com o corte na meta e evitou grandes atritos com os participantes.
A regulamentação dos fundos de pensão define que a taxa máxima de juros admitida nas suas projeções atuariais seja de 6% acima da inflação. Mas a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) deverá reduzir essa meta.

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